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Fornecedores ainda preveem menos encomendas em 2018

Rio, 30/10/2017 – Enquanto o governo comemora o sucesso do leilão do pré-sal como marco para a retomada dos investimentos na indústria petrolífera brasileira, a cadeia fornecedora acredita que a queda na demanda por bens e serviços, no Brasil, ainda não chegou ao fundo do poço. O pré-sal atrairá mais investimentos, mas apenas no médio e longo prazos. Para o ano que vem, a expectativa é que a atividade exploratória continue baixa no país.

Apesar se dizer “muit

o otimista com o futuro a médio prazo” depois dos leilões de partilha de sexta-feira, o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (Abespetro), José Firmo, avaliou que a crise do setor de óleo e gás no Brasil ainda vai piorar antes de melhorar. Isso porque a retomada da atividade provocada pelas rodadas realizados este ano só acontecerá em quatro anos.

“O ano que vem será multicatastrófico”, afirmou Firmo, que assistiu aos leilões realizados na sexta-feira. “No ano que vem vamos chegar ao fundo do poço”, completou o presidente da entidade.

 

Firmo, que assumirá a presidência do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) no dia 1º de abril de 2018, usa como comparação a indústria automobilística para explicar porque a atividade do petróleo ainda vai piorar antes de melhorar. Ele lembra que as montadoras reagem mais rápido a incentivos, como a redução no IPI, enquanto as petroleiras demoram sete anos para começar a produzir petróleo depois de feita a descoberta.

“A atividade do petróleo funciona com sondas e poços. E como essas áreas ainda vão demorar para chegar nesse estágio [de contratação de serviços], o ano de 2018 pode ser o ano de mais baixa atividade de perfuração no Brasil em 30 anos”, disse Firmo. “Convivemos com os erros por muito tempo e hoje é preciso celebrar e ver o que pode ser feito agora”, ponderou.

Entre as saídas para reanimar o setor antes do início da produção do pré-sal, ele aponta a venda de ativos da Petrobras e o destravamento da produção em campos maduros, tanto em terra como no mar. “Hoje estamos construindo o futuro e vamos celebrar por um dia. Depois precisamos trabalhar o curto prazo. E não se esqueça que o ano que vem é ano de eleições”, disse Firmo.

Estudo da Abespetro aponta que para cada US$ 1 bilhão investidos no setor, aproximadamente 25 mil empregos diretos e indiretos são criados. Segundo ele, o freio dos investimentos da Petrobras foi sentido pelos fornecedores, que viam um horizonte à frente sem novas encomendas.

O número de empregados no setor, que era de 836 mil pessoas em 2013 caiu para 464 mil em 2017 e a projeção era de que o número piorasse, chegando a 328 mil pessoas empregadas em 2020. Agora o governo estima que os leilões impulsionem R$ 100 bilhões em investimentos ao longo do período de concessão e outros R$ 400 milhões com a arrecadação de imposto de renda, royalties e participação especial. (Valor Econômico)

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