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Macri pede que EUA deixem de comprar petróleo da Venezuela

 

Buenos Aires, 09/11/2017 – O governo Trump deveria endurecer drasticamente suas sanções à Venezuela, impondo um embargo total às exportações de petróleo do país para os EUA, de acordo com o presidente da Argentina, Mauricio Macri (foto). Ele acrescentou que a iniciativa receberia amplo apoio em toda a América Latina.

O presidente Donald Trump já impôs uma série de sanções financeiras à Venezuela e a membros de seu governo no terceiro trimestre deste ano. Entre elas, proibiu qualquer instituição americana de emprestar mais dinheiro ao país. Mas evitou adotar novas medidas draconianas, como o embargo total sobre as exportações venezuelanas de petróleo para os EUA.

Em vista do agravamento da situação da Venezuela, o governo americano deveria, “sem sombra de dúvida”, lançar uma proibição abrangente ao petróleo exportado pelo país para os EUA, disse o presidente argentino em entrevista concedida ao “Financial Times” em Nova York na noite de terça-feira.

“Acho que deveríamos partir para um embargo total do petróleo”, disse Macri. “As coisas pioraram ainda mais. Agora a situação é realmente dolorosa. A pobreza está subindo e as condições de saúde estão piorando todos os dias.”

O presidente da Argentina é o primeiro líder latino-americano a defender abertamente essa dura medida. Mas Macri, um político de centro-direita que conseguiu transformar a Argentina de uma pária internacional em uma das estrelas emergentes da América Latina, disse que haverá “amplo apoio” na região a essa medida draconiana, apesar das dificuldades que ela acarretará.

“Falamos nisso muitas vezes com muitas pessoas nos últimos trinta dias”, disse ele ao “FT”.

A crise econômica e financeira da Venezuela se aprofundou nos últimos tempos. Prova disso é que o presidente Nicolás Maduro anunciou, na semana passada que o país não poderia mais pagar os juros de sua dívida externa e convocou detentores de bônus para negociações em Caracas na semana que vem, para discutir uma reestruturação da dívida. Analistas preveem que a medida resultará num calote desordenado nos próximos dias, o que deteriorará ainda mais uma situação já precária.

Considera-se pouco provável que os EUA barrem toda a importação de petróleo da Venezuela, já que isso causaria significativo desabastecimento no setor de refino americano. As importações de petróleo venezuelano têm sido de aproximadamente 800 mil barris/dia, o que corresponde a cerca de 8% do total do petróleo importado pelo país no ano passado.

A Citgo, a subsidiária americana de transporte, refino e distribuição da estatal venezuelana PDVSA, é um grande comprador do petróleo do país e emprega 3.500 pessoas em três refinarias nos Estados de Luisiana e Texas.

Em agosto, senadores de Estados que abrigam refinarias na costa do Golfo do México escreveram a Trump alertando que “sanções unilaterais” à Venezuela “poderão prejudicar a economia americana, enfraquecer a competitividade de nossas empresas e elevar os custos para os nossos consumidores”.

No entanto, o senador democrata Bill Nelson, da Flórida, escreveu na terça-feira uma carta aberta ao secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, conclamando-o a impor sanções mais rígidas ao regime venezuelano e a examinar também a possibilidade de proibir as importações de petróleo daquele país.

“A PDVSA deveria ser fonte de riqueza para o povo venezuelano, mas, devido à corrupção do governo socialista e a anos de má gestão, ela se tornou fonte de dinheiro para forrar os bolsos de Maduro e seus apaniguados”, escreveu o senador. “Estimulo o senhor [Trump] a buscar o apoio dos nossos aliados europeus também na imposição de sanções tanto direcionadas quanto setoriais ao regime venezuelano.”

O Grupo de Lima, bloco regional de países formado no terceiro trimestre deste ano para pressionar a Venezuela a realizar eleições livres, disse, no fim do mês passado, que poderiam ser necessárias mais sanções para isolar o regime e acelerar uma volta à democracia.

“Se necessário, temos de aumentar a pressão ao regime de Maduro pela tomada de medidas concretas para isolá-lo ainda mais da comunidade internacional”, disse Chrystia Freeland, ministra das Relações Exteriores do Canadá, na mais recente reunião do grupo, realizada em Toronto.

Macri disse que o grupo de Lima está fazendo um “bom trabalho” ao exercer pressão diplomática sobre a Venezuela. Mas “isso é tudo que podemos fazer. Os EUA podem fazer mais”, disse. “Eu cortaria os recursos de Maduro e manteria [o país] isolado do resto da comunidade.”

*Valor Econômico

 

 

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