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Reajustes de preço do GLP afetam também a indústria

 

Redação / Agência de Notícias*

Rio, 09/11/2017 – O custo do botijão de gás de cozinha aumentou, em média, R$ 7,80 para as famílias brasileiras desde junho, quando a Petrobras lançou sua nova política de preços para o gás liquefeito de petróleo (GLP), atrelada às flutuações do mercado internacional. Os recentes reajustes anunciados pela estatal não se limitam, no entanto, aos consumidores residenciais e chegam também às indústrias e comércio.

No mercado de GLP, existem basicamente dois grandes segmentos: o P-13 (botijão de 13 quilos, vendido sobretudo para residências); e o gás a granel, (modalidade que prevê a instalação de um tanque fixo, em geral em indústrias e comércio, recarregado periodicamente por caminhões de abastecimento.

Embora a Petrobras não tenha anunciado uma política de preços para o GLP a granel, a companhia vem praticando reajustes mensais para o produto. Desde junho, a alta acumulada dos preços nas refinarias é de 26%. Para efeitos de comparação, a estatal já reajustou em 54% o P-13 nas refinarias no mesmo período.

“De alguma forma, mesmo que não necessariamente na íntegra, esse reajuste é repassado para o consumidor. O aumento dos preços do GLP pesa mais no bolso das famílias, porque elas são mais sensíveis às variações, mas a indústria e o comércio também sentem”, diz o diretor de Energia e Óleo e gás da Accenture Strategy, Daniel Rocha.

Ele destaca que, no curto prazo, a inflação do gás pode levar clientes industriais, sobretudo os menores, a migrarem para combustíveis alternativos, como a lenha.

Segundo o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sérgio Bandeira de Mello, a elevação dos custos do GLP compromete a competitividade do gás frente aos combustíveis concorrentes (gás natural e lenha, por exemplo) e a própria competitividade da indústria nacional.

O setor, de acordo com ele, está incomodado com o fato de que, enquanto o P-13 é comercializado nas refinarias, pela Petrobras, 7% abaixo da paridade internacional, o gás a granel é vendido com um prêmio cerca de 40%, em relação ao mercado internacional.

“É excessivo”, afirma Bandeira de Mello, que alega que, diante da elevação dos preços da Petrobras, distribuidoras têm optado, em geral, por absorver parte dos reajustes. Segundo o Sindigás, a margem da distribuição caiu 11% entre setembro de 2016 e 2017.

Já no caso do P-13, os reajustes praticados pela Petrobras nas refinarias chegaram aos consumidores residenciais na forma de uma alta média de 13,6% no preço do botijão – de R$ 57,26 no início de junho para R$ 65,08 na primeira semana de novembro, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP).

De acordo com economista André Braz, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), o gás de botijão tem peso mais no orçamento das famílias de baixa renda acompanhadas pelo Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1), que recebem de um a 2,5 salários mínimos mensais. Por isso, são também as mais afetadas.

Braz acrescenta que a infraestrutura de gás encanado normalmente está presente apenas nas áreas que concentram moradores de maior renda nas cidades. Por isso, o gás natural tem peso de 0,01% no IPC-C1.

O economista, contudo, considera benéfica a nova política de preços da Petrobras. “Nos últimos meses tivemos furacão nos EUA, desvalorização do real, alta do barril de petróleo. Isso contribui para alta do preço do gás. Dá previsibilidade. Antes, tinha-se a política de reter reajustes e conceder nos momentos que o governo se sentisse mais confortável”, disse.

*Valor Econômico

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