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ANP confirma reservas gigantes de petróleo no excedente da cessão onerosa da Bacia de Santos

Rio, 03/11/2017 – As reservas excedentes da região chamada de cessão onerosa, no pré-sal da Bacia de Santos, apresentam probabilidade maior de terem ao menos cerca de 6 bilhões de barris de petróleo equivalente, afirmou nesta sexta-feira a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), confirmando volumes expressivas na área.

As reservas estimados são adicionais aos 5 bilhões de barris que a Petrobras tem o direito de explorar na área da cessão onerosa.

“Um volume desse repercute no mundo inteiro, é um volume gigante e não tem nada desse tamanho no mundo em áreas já descobertas… São números espetaculares. Sem dúvida, é muita coisa”, afirmou à Reuters o secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, comentando as estimativas divulgadas pela ANP.

Segundo a agência reguladora, que contratou a certificadora Gaffney, Cline & Associates para estimar os volumes recuperáveis na área, há 90% de chance de o excedente da cessão onerosa ter cerca de 6 bilhões de barris ou mais.

E há 10% de probabilidade de que a área tenha cerca de 15 bilhões de barris de óleo equivalente ou mais. A título de comparação, a ANP chegou a afirmar no passado que a reserva de Libra, considerada a maior do Brasil, teria de 8 bilhões a 12 bilhões de barris de petróleo equivalente.

Volumes podem ser leiloados no futuro

A estimativa é importante porque os volumes excedentes poderiam ser leiloados pelo governo no futuro ou mesmo serem usados como moeda de troca com a Petrobras, que argumenta ter direito de ser credora na renegociação do contrato da cessão onerosa.

Questionado sobre um eventual leilão do excedente, o secretário afirmou que ainda não há prazo para a realização do certame.

“Não tem decisão porque precisa passar pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), mas divulgar esse número dá transparência e ciência ao mercado do que estamos falando”, disse Félix.

Com dificuldades de caixa, a União tem dificuldades de pagar uma conta bilionária com a Petrobras, e poderia utilizar o excedente da cessão onerosa na renegociação do contrato.

Na época da capitalização da empresa, quando foi feito o contrato em 2010, a estatal pagou R$ 42,5 bilhões ao governo federal pelo direito de explorar 5 bilhões de barris de óleo equivalente sob o contrato de cessão onerosa (em que se paga pelo direito de explorar).

Mas uma renegociação do contrato, em andamento, considerando valor atual do petróleo, mais baixo do que em 2010, estava prevista desde o início.

Estimativas difíceis

A ANP apontou ainda que há 50% de chance de o excedente da cessão onerosa deter 10,8 bilhões de barris de petróleo equivalente ou mais.

Em nota, a ANP relatou que realizar tais estimativas é algo bastante complexo.

“Todas as análises são executadas em ambiente de incertezas, em que as informações são limitadas. Os dados dos reservatórios… estão restritos a uma pequena quantidade de amostras, quando existem. Em função disso, são usados parâmetros estatísticos que, ainda que calculados com a melhor técnica disponível, estão sujeitos a grandes variações”, afirmou a ANP.

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