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Mais eficientes, as 7 maiores petroleiras do mundo exibem lucro de US$ 42 bilhões

São Paulo – 17/11/2017 – Dois anos após registrarem perdas significativas com a queda livre dos preços do petróleo, que desencadeou a busca por maior eficiência e concentração em ativos estratégicos, as companhias integradas voltaram a ter lucro expressivo, mesmo com o barril a US$ 50 – metade do que costumava valer. O resultado mostra que as gigantes do setor aprenderam a lucrar no novo cenário de normalidade, longe dos US$ 100 do passado.

Levantamento do Valor com as sete maiores petroleiras de capital aberto no mundo que já apresentaram seus balanços – Royal Dutch Shell, PetroChina, ExxonMobil, BP, Total, Chevron e Petrobras – revela que neste ano o lucro líquido acumulado chegou a US$ 41,73 bilhões, o que não era visto desde 2014, quando teve início a desvalorização da commodity.

Somente no terceiro trimestre, o resultado conjunto da empresas foi de US$ 15,3 bilhões. Já é o segundo período, em 2017, no qual os números superam os dos últimos anos, mais negativos para o petróleo. Com o fim das baixas contábeis, necessárias porque se previa menor geração de valor dos ativos em carteira, e a estabilização dos preços, o setor parece ter “aprendido” a dar lucro com o barril mais barato.

Para o analista de energia da Tendências Consultoria, Walter Vitto, o bom resultado das petroleiras é consequência de três fatores principais: ajustes de portfólio, menores custos com serviços e equipamentos, e a própria estabilização dos preços da commodity.

“Ainda estamos longe dos patamares registrados em 2014, quando o barril chegou aos US$ 100, mas já saímos das mínimas de 2015, de US$ 38 por barril”, disse. No terceiro trimestre, o barril do Brent valeu, em média, US$ 52, o que – afirmou o especialista – já se mostra suficiente para um resultado positivo.

A cotação mais positiva ajudou a impulsionar a receita líquida das companhias, que terminou o terceiro trimestre em US$ 373 bilhões. A última vez que o faturamento foi tão alto ocorreu entre abril e junho de 2015, quando atingiu US$ 389,61 bilhões.

As produtoras ainda não se beneficiaram do salto na cotação desde o fim de setembro. Ontem, por exemplo, o Brent fechou valendo US$ 61,74. A perspectiva, porém, está mais próxima de US$ 55 em 2018, à medida que tensões geopolíticas que ajudaram na disparada diminuem e se aproxima o vencimento do acordo de cortes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

As margens também foram reforçadas pelos ajustes dos últimos anos. “As petrolíferas cortaram investimentos em projetos de exploração mais caros e até interromperam alguns que iriam produzir um petróleo a preços acima dos praticados e os efeitos desses cortes começam a ser sentidos agora no caixa”, disse Vitto.

Cálculos da consultoria especializada Rystad Energy mostram que há três anos o custo de exploração de petróleo era bem mais elevado. Em águas profundas, por exemplo, o ponto de equilíbrio chegava a até US$ 60. Nas areias betuminosas do Canadá, US$ 90. Atualmente, é possível se obter lucro ao se explorar as mesmas áreas com preços de US$ 40 e US$ 70, respectivamente.

De fato, o nível de investimento está muito menor agora. Entre julho e setembro, os desembolsos somaram US$ 33,55 bilhões. Para se ter uma ideia, no mesmo período de 2015, foram US$ 52 bilhões.

Quanto aos gastos com fornecedores, Vitto lembra que esses serviços estavam muito inflacionados anteriormente, em função do “boom” de demanda até meados de 2014. “Os preços de serviços e equipamentos de petróleo estavam em uma ‘bolha’ que acabou estourando quando o valor do barril despencou”, disse.

Todavia, o analista da Tendências alerta que esse resultado positivo pode enfrentar obstáculos para se manter no longo prazo. Ele diz acreditar em uma recuperação dos preços no longo prazo – mas não muito. “Estimo um preço entre US$ 65 e US$ 70 por barril a partir de 2019”.

Ao mesmo tempo, a demanda trará a necessidade de novos investimentos em exploração, o que vai testar a capacidade do setor em manter a rentabilidade com investimentos mais pesados. “Hoje, as petroleiras têm forte lucro com um preço médio em torno de US$ 50, mas não investem”, disse.
Fonte: Valor Econômico

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