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China pode se tornar o importador principal de GNL, inclusive dos EUA

Nova York – 24/11/2017 – Os negócios no setor de energia anunciados durante a recente visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China, podem prenunciar uma grande mudança no mercado mundial de gás natural.

A China Petroleum & Chemical (Sinopec) – principal estatal de petróleo – firmou em 9 de novembro contrato para operar projeto de gás natural liquefeito (GNL) no Alasca. A disposição de Pequim de investir no setor de xisto americano reflete seu desejo de combater a poluição reduzindo o uso do carvão. Acredita-se que a China ultrapasse o Japão como maior importador de GNL do mundo.

Estimativas sugerem que até 2040 as importações chinesas de GNL quadruplicarão. A ascensão do país à posição de maior comprador de gás natural poderá pressionar os preços no longo prazo.

O carvão continua sendo a maior fonte de energia na China, representando mais de 60% do consumo total em 2016. A queima intensiva desse material no inverno degrada ainda mais a qualidade do ar. As autoridades estão incentivando o uso do gás natural – cuja queima é mais limpa -, e o país aumentou as importações de GNL para atender a demanda.

No mesmo dia em que a Sinopec e entidades como o Banco da China assinaram o contrato sobre o projeto de US$ 43 bilhões no Alasca, a China Energy Investment firmou memorando para investir US$ 83,7 bilhões em projeto de xisto na Virgínia Ocidental. A China Energy é a maior empresa de energia do mundo em valor de ativos.

O governador do Alasca, Bill Walker, saudou o investimento da China, dizendo: “Este acordo proporcionará ao Alasca um boom econômico comparável ao desenvolvimento do oleoduto Trans Alaska na década de 1970”.

Um negociador japonês, no entanto, minimizou a importância desses acordos, chamando-os de politicamente convenientes. A intenção real da China, segundo ele, pode ser esvaziar críticas de Washington sobre o desequilíbrio comercial entre os dois países.

De qualquer modo, poucos duvidam de que a demanda chinesa por gás continuará a aumentar.

Relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) divulgado dia 14 estima que as importações chinesas de gás subirão para 278 bilhões de metros cúbicos em 2040, aumento de 3,8 vezes em relação ao nível de 2016. Desse total, acredita-se que as importações de GNL atinjam 130 bilhões de metros cúbicos, crescimento de 320%.

Apesar dos esforços chineses para aumentar a produção e obter o combustível através de oleodutos provenientes da Rússia, a demanda deverá superar a oferta.

A China já causou impacto sobre preços. Neste mês, o preço de GNL no mercado asiático chegou a US$ 9,5 por milhão de unidades térmicas britânicas (BTU) – 80% acima do registrado em junho.

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