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Petrobras investe R$ 3 bilhões para modernizar plataformas na Bacia de Campos

Rio, 04/12/2017A Petrobras encerra o ano com a maior contratação de serviços desde 2014, quando foi abalada pelo esquema de corrupção revelado pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Desde então, a companhia paralisou todas as grandes contratações, como o Comperj. A estatal está fazendo uma profunda reforma em 39 plataformas de petróleo na Bacia de Campos, visando a aumentar a produção. O número representa cerca de 75% das 53 unidades existentes no local. Dividida em três licitações, a expectativa é que a nova leva de encomendas receba investimentos de R$ 3 bilhões e gere pelo menos três mil empregos diretos, de acordo com projeções da Abespetro, associação que reúne empresas prestadoras de serviços para a indústria petrolífera.

POR RAMONA ORDOÑEZ E BRUNO ROSA

Agência O Globo

A contratação de serviços, considerada a maior da história da Bacia de Campos, vai beneficiar principalmente a cidade de Macaé, no Norte do Estado do Rio. A expectativa de geração de vagas domina as conversas dos trabalhadores do setor, e muitos já pensam em voltar para a cidade, uma das mais afetadas nos últimos anos pela crise provocada pela redução dos investimentos da Petrobras e pela queda do preço do petróleo, com o fechamento de cerca de 40 mil vagas. Empresários da região também indicam um aquecimento na procura de companhias do setor.

A Petrobras está realizando neste momento uma licitação dividida em três lotes para serviços de manutenção em 25 plataformas. Participam da concorrência 19 empresas nacionais e estrangeiras. Segundo a estatal, a contratação será concluída até abril, com a mobilização do serviço a partir de junho de 2018. O valor estimado deve superar a cifra de R$ 1 bilhão, e a expectativa é a geração de mil vagas.

Uma outra licitação está prevista com prazo de entrega das propostas para este mês. Neste caso, são dois lotes que envolvem serviços em 14 plataformas. Essa licitação também deve gerar investimentos da ordem de R$ 1 bilhão e mais mil postos de trabalho. Para 13 dessas unidades, a Petrobras realizou uma primeira licitação meses atrás, que foi dividida em quatro lotes, com expectativa de movimentar outro R$ 1 bilhão. Concluída em agosto, levaram os contratos as companhias O Engenharia, da francesa Vinci, e a CSE, da Aker.

NÍVEL DE CONSULTA PRÉ-CRISE

Todas as licitações envolvem serviços de manutenção das plataformas, de pintura a troca de diversos componentes, como tubulações, e serviços de caldeiraria. Esses contratos englobam a encomenda para construção e, depois, a instalação dos equipamentos nas plataformas.

— As três concorrências em andamento vão criar mais de três mil vagas a partir de 2018 na região de Macaé. Um indicador inequívoco da retomada da atividade no setor petroleiro — destacou Telmo Ghiorzi, diretor da Abespetro.

Ghiorzi disse ainda que as licitações da Petrobras vão contribuir para aumentar a produção de petróleo na Bacia de Campos, que responde por 44% da produção nacional de petróleo, com um total de 1,483 milhão de barris por dia. A região vem perdendo espaço para o pré-sal da Bacia de Santos, que já responde por 44,7% da produção nacional, com 1,507 milhão de barris diários.

— No Brasil, apenas 24% do petróleo presente nas jazidas são de fato produzidos. É um valor baixo. E esses serviços de manutenção certamente vão ajudar a aumentar a produção desses campos. No mundo, esse percentual médio é de 35%, chegando a 70% em alguns lugares — completou Ghiorzi.

Maurício Almeida, presidente da Associação Brasileira de Engenharia da Construção Onshore, Offshore e Naval (Abecoon), diz que a as reformas das plataformas na Bacia de Campos representa atualmente a maior licitação em andamento pela estatal.

— A estratégia da Petrobras com essas licitações é reduzir a queda na produção na Bacia de Campos. Por isso, a companhia está ampliando os investimentos com essas licitações. A empresa quer renovar as plataformas. E isso é muito bom, pois vai gerar muitos empregos, sobretudo, em Macaé. As empresas já estão falando em aumento de contratação, de criação de vagas. E isso é ótimo, depois de anos de retração — disse Almeida.

Em Macaé, há otimismo. Leonardo Dias, diretor do Parque Industrial BellaVista, que reúne companhias do setor de óleo e gás, afirmou que atualmente uma empresa mostra interesse em investir no espaço a cada semana. Segundo ele, esse ritmo é o mesmo do nível pré-crise, antes de 2014. O executivo cita a chegada de quatro companhias recentemente. Somente a VRV Comércio de Equipamentos Hidráulicos e Mecânicos e a Alternativa Catering vão gerar por volta de 140 empregos.

— Além disso, estamos em negociação com outras duas empresas que estão participando das licitações da Petrobras. Mas as negociações são longas, e podem chegar a seis meses. Hoje, além de vender o terreno, montamos o projeto da base industrial como forma de agregar valor. O que percebo é que as mudanças na lei feitas pelo governo permitiram uma mudança de humor no setor — explicou Dias.

Em Macaé, onde o petróleo responde por 70% dos empregos gerados, as licitações da Petrobras podem trazer dinamismo para a cidade. Segundo projeções do prefeito da cidade, Aluízio dos Santos Júnior, a expectativa é que sejam gerados 25 mil empregos na cidade nos próximos anos. Esse número é reflexo do novo momento do setor, que inclui os planos de revitalização dos campos maduros e os leilões feitos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

— Hoje, o setor emprega cerca de 50 mil pessoas em Macaé. As reformas que a Petrobras quer fazer nas plataformas são fundamentais para gerar emprego e aumentar a produção de petróleo. O ano de 2017 foi importante pelas mudanças nas regras de operador único no pré-sal e no regime de partilha — disse o prefeito.

Do outro lado, sindicatos que representam os trabalhadores criticam a falta de informações por parte da Petrobras. Amaro Luiz Alves da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Offshore do Brasil (Sinditob), diz que é difícil prever o volume de vagas que pode ser gerado a partir de 2018:

— De setembro de 2014 a novembro de 2017, foram 39.184 rescisões. Há empresas que não estão operando mais.

LICITAÇÕES ENVOLVENDO MUITAS EMPRESAS

O executivo da Abespetro aformou que a Petrobras tem convidado cerca de 20 empresas para participar das licitações. O número é bem diferente do período anterior à Operação Lava-Jato, quando as licitações envolviam de duas a três companhias. Segundo executivos do setor, as disputas têm sido tão acirradas que, em alguns casos, a diferença de preço nas propostas apresentadas é inferior a 1%.

— As concorrências cujos resultados já foram divulgados mostram competição acirrada e preços muito próximos entre os licitantes — comentou Ghiorzi.

Especialistas lembraram que ainda há a perspectiva de novas encomendas para o setor. A lista, dizem eles, é animadora. Eles citam as obras da unidade de processamento de gás natural do Comperj, em Itaboraí, novas plataformas de produção e até mesmo a prestação de serviços para o encerramento das atividades de algumas plataformas, o chamado descomissionamento.

— O país precisa se preparar para que a demanda por descomissionamento gere capacitação técnica — disse o diretor da Abespetro.

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