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Desafio da Petrobras será estancar a perda de participação em combustíveis

São Paulo – 16/03/2018 – A Petrobras vem perdendo participação significativa no mercado brasileiro de combustíveis derivados de petróleo. Após estabelecer uma nova política de preços que segue a lógica do mercado internacional, a estatal terá o desafio de brigar – e superar – a concorrência com importados.

“Nos últimos dois anos, a Petrobras praticou os preços acima ou em linha com a paridade de importação. Isso tornou factível a importação de combustíveis, algo que antes não ocorria, especialmente no período em que a empresa realizou cotações abaixo do mercado externo”, explica o analista de petróleo e gás da Tendências Consultoria, Walter De Vitto.

Em 2015, a companhia detinha 96% e 97% do mercado brasileiro de gasolina e diesel, respectivamente. A partir do ano seguinte, com a mudança da política de venda para as distribuidoras, essas fatias diminuíram, alcançando 77% e 79% em fevereiro de 2018.

“A Petrobras enfrenta uma batalha pelo mercado de derivados. Houve um forte aumento das importações de combustíveis e a empresa perdeu um share expressivo. A própria BR Distribuidora (subsidiária da Petrobras) importou uma parcela de seus combustíveis”, aponta o analista da Planner Corretora, Luiz Francisco Caetano.

Para brigar com a concorrência internacional, a estatal passou a realizar reajustes quase diários nas refinarias desde julho do ano passado, quando avaliou a necessidade de acompanhar a volatilidade crescente da taxa de câmbio e das cotações de petróleo e derivados.

Porém, Caetano aponta que a estratégia ainda não foi suficiente para trazer um desempenho operacional melhor. “Eu esperava uma queda menor na venda por conta dessa política de preços. Deveria ocasionar ao menos um ganho de market share, ou uma recuperação. Mas as vendas caíram”, reforça.

Embora o resultado não tenha atingido as expectativas, a analista da Coinvalores, Sabrina Cassiano, acredita que a medida deve ter efeito em 2018. “A Petrobras deve recuperar mercado ao longo do ano. O ajuste de preço mais dinâmico não está deixando tanto espaço para importações”.

Caetano faz uma análise semelhante. “As perspectivas são positivas. Com a melhora da economia e aumento das vendas de combustíveis, deve ocorrer alguma retomada de participação no mercado de derivados”, assinala.

A retração da demanda do mercado interno, somada ao crescimento da produção de petróleo, causou um aumento de 32% das exportações. “Em vez de refinar, a Petrobras exportou. Não é o melhor cenário. Vender derivados é mais rentável”, afirma Caetano.

Já Sabrina aponta que a empresa está mais preocupada em manter a margem do que recuperar o mercado de derivados. “Não adianta ser líder do mercado por um preço que não traga rentabilidade. O quarto trimestre de 2017 estava mais favorável à exportação. A empresa está mais atenta a essa dinâmica do mercado.”

Balanço 2017
Nesta quinta (15), a Petrobras apresentou os resultados financeiros do 4º trimestre e de 2017. A empresa fechou o ano com lucro líquido de R$ 377 milhões, frente a um prejuízo de R$ 13 bilhões em 2016. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 76 bilhões no ano passado, recuo de 14% na mesma base.

De acordo com o presidente da empresa, Pedro Parente, o resultado foi fortemente impactado por efeitos não recorrentes, como a ação coletiva movida por investidores nos EUA que alegaram perdas com corrupção e a adesão ao programa de débitos federais.

“Teríamos alcançado lucro líquido de R$ 7 bilhões, não fossem as despesas extraordinárias”, disse em teleconferência. Apesar disso, o executivo vê o resultado como positivo. “Eliminamos incertezas e reduzimos riscos para 2018. A empresa está mais organizada em termos de governança, integridade e gestão”, garantiu.

Para Caetano, o balanço era previsível. “Os fatores não recorrentes já eram conhecidos. Com todos os contratempos, a Petrobras está gerando o resultado esperado.”

A produção de petróleo e gás natural se manteve estável em 2017, em 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia. “Isso se deve principalmente às manutenções em plataformas e vendas de ativos”, destaca o analista.
Fonte: DCI

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