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Parada em plataforma deve ter impacto na conta de luz

Rio, 26/07/2018 – A decisão da Petrobras de fazer uma parada programada para manutenção na plataforma de Mexilhão, no pré-sal da Bacia de Santos, deve ter impacto na conta de luz do brasileiro, segundo especialistas. A plataforma, que ficará paralisada até 8 de setembro, produz gás destinado a usinas termelétricas no Sudeste e no Nordeste. O episódio deixou em alerta a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Sem combustível, sete usinas devem ficar paradas até meados de setembro. Em ofício encaminhado ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a agência questionou a decisão e pediu ao órgão para avaliar a possibilidade de reprogramação ou reescalonamento das atividades nas usinas por se tratar de período de seca.

Para suprir os 15 milhões de m³ por dia de gás natural de Mexilhão, a estatal vai aumentar a oferta de gás natural liquefeito (GNL) importado em 20 milhões de m³ por dia. Neste cenário, as alternativas seriam usar gás importado, mais caro, ou recorrer a usinas movidas a outras fontes, como diesel, que também têm preço mais elevado.

Em documento, a Aneel critica a parada da plataforma. “Essa condição sugere que, sob a ótica do setor elétrico, o momento escolhido para a parada não tenha sido o mais adequado, visto que o sistema demanda a geração térmica para preservar água nos reservatórios até a chegada do próximo período úmido”, diz o ofício assinado pelo superintendente de regulação dos serviços de geração da Aneel, Christiano Vieira da Silva.

O professor Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), do Instituto de Economia da URFJ, acredita que a substituição do gás produzido pela Bacia de Santos pelo GNL importado por 45 dias vai gerar um aumento no preço das tarifas:

— O ponto central é que o GNL importado é muito mais caro que o produzido no Brasil. Isso vai trazer aumento nas tarifas. O impacto, no entanto, não será imediato, pois esse custo só será repassado durante a revisão anual do reajuste tarifário. A curto prazo, é a bandeira tarifária que vai cobrir esse custo maior — afirma Castro, que avalia que o consumidor vai continuar a pagar a tarifa extra na conta de luz, a bandeira vermelha patamar 2, que gera custo de R$ 5 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, até o mês de novembro, quando acaba o período seco.

Inspeções obrigatórias de segurança

O consultor Fernando Umbria, da LPS Consultoria, disse que o momento é “crítico” para que a manutenção ocorra:

— O problema é que já é preciso operar com usinas mais caras, o custo está alto.

Dados do ONS indicam que o nível dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste chegou a 35,69%, menor que os 39,46% de um ano atrás. No caso do Nordeste, as usinas chegaram a 35,61%, maior que os 15,56% do ano passado.

Em nota, o Operador Nacional do sistema Elétrico (ONS) informou que a parada da plataforma de Mexilhão não traz qualquer risco para o abastecimento de energia do país. Segundo o ONS, durante a paralisação da plataforma, será feita manutenção também em seis termelétricas, mas não ao mesmo tempo.

A Petrobras explicou que, além das obras de infraestrutura e da manutenção na plataforma, a parada da unidade servirá para atender a inspeções obrigatórias de segurança previstas pelo Ministério do Trabalho. A Petrobras informou que apresentou as ações que serão adotadas às distribuidoras de gás. A estatal destacou que o cronograma de parada das termelétricas foi “discutido e articulado” com o ONS.

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