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AIE prevê que alta do petróleo vai frear demanda mundial

Paris, 17/05/2018 – A alta nos preços do petróleo vai conter o crescimento da demanda pelo produto, segundo avaliação da Agência Internacional de Energia (AIE). A entidade alertou para o risco de novas valorizações em razão de uma possível “dupla escassez de oferta”, no Irã e na Venezuela.

A agência com sede em Paris revisou para baixo sua previsão de crescimento do consumo de petróleo em 2018. De uma previsão inicial de 1,5 milhão para 1,4 milhão de barris por dia, e agora projeta demanda total de 99,2 milhões de barris diários.

“Prevemos uma desaceleração [no crescimento da demanda na segunda metade do ano], em grande parte atribuível ao aumento dos preços do petróleo”, destacou a AIE em seu relatório mensal sobre o mercado de petróleo.

“Os preços do petróleo subiram quase 75% desde junho de 2017. Seria extraordinário se esse grande salto não afetasse o crescimento da demanda”, informou a agência em seu relatório.

A forte demanda mundial por petróleo e as restrições na oferta promovidas pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e pela Rússia coincidiram com uma série de crises geopolíticas nos últimos 12 meses, que elevou as cotações rumo à marca de US$ 80 por barril nesta semana.

O fim de subsídios à energia em economias que são grandes consumidores de petróleo, como o caso da Índia, poderia fazer com que a alta nos preços tenha um impacto ainda maior na demanda, segundo a AIE.

Agência diz estar “pronta para agir e assegurar que mercados estejam abastecidos, se necessário”

Preços ainda maiores podem estar no horizonte, de acordo com a agência internacional de energia, em consequência das sanções contra o petróleo iraniano anunciadas pelos EUA, que abandonaram o acordo nuclear que tinham com o país.

Além disso, a aceleração no declínio da produção e das exportações da Venezuela vem dominando as atenções, já que os problemas econômicos e políticos vividos pelo país abalaram sua indústria petrolífera.

“A potencial dupla escassez de oferta representada por Irã e Venezuela poderia apresentar um grande obstáculo para que os produtores impeçam fortes altas nos preços ao ocupar essa lacuna, não apenas em termos de número de barris, mas também em termos de qualidade do petróleo”, ressaltou a AIE.

Na semana passada, a agência elogiou as declarações vindas do governo da Arábia Saudita, líder informal da Opep, de que se empenharia ao lado dos outros produtores para limitar o impacto do déficit na oferta. Com a alta dos preços e a continuidade das crises geopolíticas, operadores e analistas do setor petrolífero se perguntam quando os produtores vão abandonar seu acordo para restringir a oferta, em vigor desde 2017.

A produção de petróleo da Opep em abril caiu para cerca de 31,7 milhões de barris por dia, apesar de as projeções sobre a demanda por petróleo do cartel para este ano apontarem para 32,2 milhões de barris por dia.

A AIE, que representa alguns dos maiores países consumidores de petróleo do mundo, informou que vai estar “pronta para agir e assegurar que os mercados estejam bem abastecidos, se necessário”. Uma das funções importantes do órgão, criado nos anos 70, é coordenar a liberação dos estoques emergenciais de petróleo de seus membros caso ocorram grandes interrupções no fornecimento.

A AIE avaliou que a produção nos EUA precisaria aumentar para compensar os volumes mais baixos produzidos por outros países. Embora projete uma grande produção nos EUA em 2018, a AIE acredita que esse impacto vai ser limitado porque o mercado enfrenta “limitações logísticas”.

A produção de fora da Opep vai aumentar em quase 1,9 milhão de barris por dia em 2018, puxada pelos EUA, uma previsão um pouco maior do que a feita no relatório de abril. A produção total nesses países agora é estimada em 60 milhões de barris diários.

Os estoques comerciais nos países industrializados caíram em março para pouco acima de 2,8 bilhões de barris – menor patamar desde março de 2015. A AIE admitiu que a atenção dos participantes do mercado desviou-se dos estoques para a volatilidade dos preços.

Fonte: Valor / Agências Internacionais

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