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BTG Pactual deve manter 50% da PetroAfrica e ser sócio da Vitol

Rio, 16:0 7 14/09/2018 – O BTG Pactual planeja manter sua participação de 50% na PetroAfrica e não pretende mais acompanhar a sócia Petrobras na venda do ativo. A trading Vitol está negociando a compra e avaliou o negócio em US$ 2,6 bilhões, conforme o Valor apurou com fontes envolvidas nas conversas.

No fim do ano passado, Petrobras e BTG Pactual iniciaram um processo formal de venda conjunta, com a expectativa de obter não menos do que US$ 3 bilhões pela totalidade do ativo, então pouco mais de R$ 10 bilhões.

A provável decisão do BTG de ficar com a petroleira africana não deve prejudicar a Petrobras na alienação dos seus 50% na companhia. De acordo com pessoas envolvidas nas conversas, a holandesa Vitol já havia oferecido as duas possibilidades de transação, de comprar 50% ou 100% do capital.

A definição do banco ainda não foi formalizada, mas tudo indica que esse será o caminho escolhido. Já começaram as conversas entre Vitol e BTG a respeito de como poderia ficar um acordo de acionistas, que será necessário para substituir o atual.

A venda da PetroAfrica pelo BTG Pactual era uma operação emblemática e esperada pelo mercado, devido às polêmicas em torno da aquisição desse ativo, que surgiram no âmbito da Operação Lava-Jato, em 2015.

A instituição comprou os 50% da PetroAfrica, então integralmente detida pela Petrobras, em junho de 2013. Na época, o barril do óleo bruto na bolsa de Londres superava US$ 100 e o dólar oscilava de R$ 2,13 a R$ 2,21.

A estatal brasileira adquiriu um pacote de ativos na África em 2006 e seis anos depois iniciou um processo de busca de parcerias para vários deles, visando sócios que ajudassem a financiar os projetos de exploração.

O BTG pagou US$ 1,525 bilhão pela metade da empresa – acima, portanto, da oferta atual da Vitol, que renderia US$ 1,3 bilhão a cada uma das sócias. Em reais, porém, o cenário é oposto: o banco pagou R$ 3,3 bilhões e venderia agora por mais de R$ 5 bilhões.

A polêmica em torno da aquisição surgiu devido às suspeitas de que o banco poderia ter feito uma operação lesiva à Petrobras, subavaliando o ativo. Entretanto, nenhuma das suspeitas se comprovaram e o caso sequer chegou a ser alvo de processo. O valor pago pelo BTG foi superior à única outra oferta concorrente da ocasião, d espanhola Cepsa, de US$ 1,4 bilhão.

Mesmo assim, a citação nas investigações da Lava-Jato marcou definitivamente o investimento pela exposição negativa. Por isso, o banco sinalizava desde 2015 – com o barril do petróleo rumo aos US$ 30 – que venderia a PetroAfrica tão logo o preço do petróleo se recuperasse no mercado internacional.

Para a Petrobras, o sucesso da transação é importante. Ao se desfazer da empresa africana, a estatal marcaria um avanço no seu programa de desinvestimentos, que vem se concretizando em ritmo mais lento que o planejado. Se confirmada a operação, a estatal poderia ultrapassar um quarto de sua meta – obter US$ 21 bilhões com alienação de ativos no biênio 2017-2018. Com essa negociação, a Petrobras atingiria a marca de US$ 5,9 bilhões arrecadados durante 2017 e 2018 – 28% do projetado para o período.

O BTG Pactual não informa qual o valor de marcação da PetroAfrica em sua carteira de ativos. Mas, assim como fez com Sete Brasil e Bravante, realizou baixas no valor da empresa. Já no fim de 2015, os ajustes nas investidas do setor de petróleo superavam R$ 2 bilhões.

Da fatia de 50% da PetroAfrica aos cuidados do banco, 32% são proprietários, 8% pertencem a clientes e 10% são do fundo Helios, da África do Sul.

O fato de a oferta da Vitol, em dólar, ser inferior ao valor pago há cinco é que está motivando a opção do BTG por manter o investimento. Internamente, de acordo com pessoas próximas à operação, a percepção é que o ativo ficou na carteira no pior momento do preço do petróleo. A ideia, portanto, é esperar para melhorar o retorno com base nos resultados daqui para frente, uma vez que os contratos de petróleo para novembro estão próximos de US$ 80 por barril.

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