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Alta do petróleo e recentes leilões devem abrir 116 mil vagas no setor de O&G

Rio, 05/11/2018 (Agência Globo*) – Com o preço do barril acima dos US$ 70 e a presença de companhias estrangeiras, as empresas do setor de petróleo voltaram a contratar. As prestadoras de serviço preveem que os empregos passem de 399 mil este ano para 515 mil em 2019. O movimento é puxado por empresas que venceram os últimos leilões de petróleo e precisam ampliar operações, o que gera postos de trabalho ao longo de toda a cadeia do setor. Algumas companhias já ampliam benefícios para reter funcionários. Segundo especialistas, com a retomada de projetos como o do Comperj, o Rio será destaque.

A retomada do setor de óleo e gás no Brasil já começa a aquecer o mercado de trabalho neste fim de 2018, depois de anos com redução do quadro de funcionários e fechamento de fábricas. Com o preço do petróleo em alta no mercado internacional, acima de US$ 70, e o calendário de leilões a todo vapor, as empresas do setor já se preparam para a maior demanda de projetos, com a contratação de pessoal e a criação de políticas de retenção de funcionários.

Segundo projeções da Abespetro, que reúne as empresas prestadoras de serviço da cadeia de petróleo, a expectativa é que o total de empregos passe dos 399 mil neste ano para 515 mil no ano que vem, ou seja, 116 mil vagas devem ser criadas. Atualmente, há cinco plataformas em concorrência e, para 2019, há a previsão de pelo menos outras cinco unidades de empresas como Petrobras, Equinor e Shell.

Esse otimismo já foi verificado entre empresas de recrutamento de executivos. A Hays, por exemplo, vê contratação 20% maior no quarto trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, com o maior número de vagas para áreas de geociência e gerenciamento de projetos. O movimento é liderado por petroleiras que arremataram campos ao longo deste ano nos leilões. Para 2019, diz a consultoria, o movimento tende a crescer 30% e ganhar força para diversas áreas da cadeia de óleo e gás.

VENCEDORAS DE LEILÕES

O Rio de Janeiro tende a ganhar destaque, dizem especialistas, já que há investimentos para recuperar os campos maduros na Bacia de Campos e a retomada de projetos como o Comperj, o complexo petroquímico de Itaboraí.

“Há uma demanda maior das empresas que ganharam os últimos leilões. Muitas não tinham operações no Brasil e já começaram a contratar. Já estamos mapeando profissionais, pois há muita gente parada, outros saíram do país e alguns decidiram empreender ” afirma Raphael Falcão, diretor da Hays.

Especialistas e fontes do setor citam uma demanda maior por profissionais em diversas empresas privadas, que saíram vencedoras nos leilões de petróleo realizados este ano, como Exxon, Chevron, Equinor, Wintershall, QPI, CNOOC, Petrogal e Ecopetrol. Movimento semelhante já foi constatado pela Regus, companhia que oferece espaços de trabalho e escritórios prontos em centros comerciais. No ano, houve aumento de 40% na ocupação enas solicitações das empresas de petróleo interessadas em abrir unidades no Rio, segundo Renato Amorim, diretor da corporação.

” A maior procura é por escritórios em espaços ao redor da Petrobras e da Shell, no entro do Rio. No Flamengo, houve maior procura para ficar perto da Equinor. É uma atividade de vizinhança “disse, destacando que ao menos 30 empresas abriram ou ampliaram escritórios no país este ano, como Brasdril, Anadarko, Wintershall, SGS e Sapura Energy, e que a empresa negocia com mais 28 companhias a entrada este ano.

A Aker Solutions, uma das maiores fornecedoras de equipamentos e serviços para o setor, já contratou 300 pessoas este ano e planeja aumentar seu quadro de funcionários em mais de 500 posições. Isso porque a companhia fechou novos contratos envolvendo a manutenção de plataformas nas Bacias de Campos e Santos da Petrobras. Além disso, a companhia vai fornecer um sistema de produção submarina e serviços relacionados para a estatal na primeira fase do Campo de Mero, na área de Libra.

“Estamos numa primeira onda de novos contratos. Projetos que antes estavam represados passaram a ser economicamente viáveis com a alta do preço do petróleo. Há novas operadoras no Brasil e queremos entrar em mercados como o de inspeção, manutenção e gestão inteligente de ativos ” afirma Mário Zanini, vice-presidente do segmento de Serviços e Ativos de Produção da Aker Solutions.

As petroleiras também estão em fase de contratações. Ida Christina Killingberg, diretora da área de pessoas e liderança da Equinor, diz que, além das vagas abertas atualmente, a companhia prevê novo ciclo de admissão de trabalhadores capacitados em 2024, quando está prevista a extração do primeiro óleo do bloco de Carcará. Hoje, a empresa tem 400 funcionários e 34 vagas abertas, além dos planos de recrutamento de mais 16 pessoas para o programa de trainee.

” Precisamos de pessoas com habilidades que entendemos serem essenciais no futuro, como digitalização e novas energias “explica.

FÔLEGO PARA PRESTADORAS

A PetroRio, que já contratou 30 pessoas este ano, investiu R$ 200 milhões no Campo de Polvo, na Bacia de Campos. Segundo Nelson Tanure, diretor executivo da empresa, a companhia estuda fazer nova campanha exploratória no campo, com possibilidade de perfuração de até cinco novos poços, oque deve movimentar a cadeia de fornecedores e gerar empregos.

A maior movimentação do setor deu novo fôlego aprestadoras de serviços. É ocaso da Ouro Negro, empresa de tecnologia com 65 funcionários que desenvolve soluções para o setor. Eduardo Costa, diretor executivo da companhia, lembra que o otimismo já se converteu em novos contratos ao longo do ano e na contratação de dez funcionários, número que deve dobrar no próximo ano:

” Temos contratos com operadoras de petróleo, prestando serviços de tecnologia, como sistemas de monitoramentos e robôs para inspeção. Desenvolvemos algoritmos para aplicar em análises preditivas. O setor está otimista. Estamos conversando com várias operadoras atualmente para novos serviços.

A Ocyan, antiga Odebrecht Óleo e Gás, pretende contratar se ganhar uma licitação da Petrobras orçada em US$ 1,5 bilhão. A companhia está ampliando benefícios para aumentar o comprometimento coma companhia, segundo Roberto Simões, presidente da Ocyan:

” Oferecemos apoio complementar ao pré-natal e pósparto para todas as funcionárias grávidas e mulheres de colaboradores. Criamos horário flexível para quem trabalha em terra, que já teve 70% de adesão. É possível escolher o horário para início e fim do expediente, com uma faixa entre 7h e 9h30m.

José Firmo, presidente do IBP, ressalta que o ambiente é positivo. Para ele, um indicador éon úmero de sondas de exploração que devem entrar em operação no Brasil já em 2019. O número, diz ele, deve passar das atuais 20 unidades para 25 já no próximo ano:

” Isso é reflexo da chegada de novas companhias e do maior apetite da Petrobras. Como o setor de óleo e gás é de longo prazo, há potencial para criar 400 mil empregos até 2022.

*Bruno Rosa

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