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Presidente Obrador suspende leilões de petróleo no México por três anos

Cidade do México, 06/12/2018 – O novo presidente do México, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, anunciou ontem que os leilões de petróleo estão suspensos pelos próximos três anos. A decisão é vista por analistas como um indicativo de que o novo governo não levará adiante a abertura do setor energético iniciada pelo antecessor, Enrique Peña Nieto, e envia um mau sinal a empresários e investidores.

Segundo López Obrador, nesses três anos serão analisados os resultados dos contratos assinados durante o governo Peña Nieto. Também serão avaliados os investimentos e a quantidade de petróleo produzidos pelas empresas estrangeiras que venceram os leilões de exploração no México.

A medida certamente beneficiará o Brasil, que deverá atrair novos investimentos com a continuidade do programa de licitações, que vendo sendo tocado pelo governo, sobretudo na área de pré-sal. A previsão é de que o próximo certamente, que deverá ser da cessão onerosa, deverá arrecadar mais de R$ 100 bilhões  em bônus de assinaturas.

Amlo – como é conhecido López Obrador – afirmou que a reforma energética iniciada no governo anterior não trouxe os investimentos que prometeu para o setor e que as empresas não estão produzindo muito.

Ele disse que seu governo faria uma análise da reforma e reiterou que respeitará os 107 contratos assinados depois dos leilões, informa o jornal Valor. O governo de Peña Nieto dizia que os contratos poderiam gerar US$ 161 bilhões em investimentos.

“Em quatro anos de reforma energético, a Pemex investiu muito pouco. Mas apenas 2% de tudo o que investiu a Pemex foi o [nível de] investimento estrangeiro com a reforma energética”, disse López Obrador. “Com os contratos não foi extraído um barril de petróleo. Então não podemos continuar entregando territórios para a extração de hidrocarbonetos se não há investimento e, o mais importante, se não há produção.”

“Em quatro anos de reforma energético, a Pemex investiu muito pouco. Mas apenas 2% de tudo o que investiu a Pemex foi o [nível de] investimento estrangeiro com a reforma energética”, disse López Obrador.
Edward Glossop, economista da Capital Economics, afirma que se a Amlo quiser ver aumento na produção de petróleo antes de retomar os leilões de petróleo, ele terá de esperar.

“Muitos dos blocos que foram leiloados ainda estão na fase de exploração, e não produção. É possível que leve anos até que a produção privada aumente substancialmente”, diz.

Enquanto os blocos em águas profundas adquiridos pela Royal Dutch Shell, a Exxon Mobil Chevron e a Total ainda estão em fase de exploração, alguns projetos onshore leiloados no âmbito da reforma estão produzindo 13.400 barris por dia, segundo dados oficiais.

Isso inclui cerca de 9.200 barris/dia produzidos por duas joint-ventures onshore com a Pemex, além de outros 4.200 barris diários de produtores privados.

A produção da Pemex, que vem caindo há 14 anos, chegou a 1,76 milhão de barris diários em outubro.

As refinarias da estatal petroleira estão operando no nível mais baixo em quase três décadas. Em outubro, a produção das refinarias da Pemex no México foi de 485.478 barris/ dia, a menor desde dezembro de 1990. O total produzido equivale a 30% da capacidade das refinarias.

Para Glossop, a decisão do novo governo indica que Amlo implementará mais políticas heterodoxas nos seis anos de mandato e mina ainda mais a confiança de empresários e investidores em sua gestão. Ele afirma que, no longo prazo, a decisão de não fazer novos leilões pode ter um impacto de 0,3 ponto percentual no PIB mexicano.

Carlos Petersen, analista da consultoria Eurasia, acredita que o anúncio de ontem é um sinal de que não haverá mais licitações no setor e que o governo Amlo pretende centralizar a tomada de decisões e a estratégia do setor energético nas mãos do Poder Executivo e da Pemex.

“A decisão traz consequências negativas para as empresas que estão no México e mostra que as operações no setor petroleiro tendem a ser cada vez mais difíceis”, diz.

Glossop lembra que o governo Peña Nieto havia completado nove leilões de um total de 16 licitações planejadas para o setor petroleiro. Amlo não deixou claro se adiaria ou cancelaria uma rodada de leilões marcada para fevereiro.

No total, as licitações cobrem 46 blocos de petróleo e gás, incluindo nove áreas de xisto, além de direitos de parceria para sete joint-ventures onshore com a Pemex.

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