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Petrobras pretende se tornar player global no mercado de gás liquefeito

Rio, 06/12/2018 – A Petrobras revelou em seu plano de negócios 2019-2023 a ambição de se tornar um player global do mercado de gás natural liquefeito (GNL). Além de atender à demanda brasileira, a produção associada ao petróleo do pré-sal também seria exportada.
“O Brasil tem um potencial enorme de petróleo e para garantir a produção, é preciso equacionar o gás. Desenvolver o mercado local é prioridade, mas não podemos depender apenas de rotas para o continente,  até por segurança operacional”, declarou o diretor executivo de estratégia, organização e sistema de gestão da Petrobras, Nelson Silva, em teleconferência para acionistas.

Ele explicou que a empresa vai estudar a liquefação do gás — processo necessário para transporte em longas distâncias — com parceiros no Brasil. “Temos que ter uma conexão com o mercado global. Isso não afeta apenas a Petrobras, mas todas as companhias que estão atuando no pré-sal.” Além da questão operacional, a Petrobras entende que a decisão é estrategicamente interessante, em função do gás natural apresentar a maior taxa de crescimento entre as energias fósseis. “Entendemos que o gás será um combustível de transição para a economia de baixo carbono. Isso já está ocorrendo”, aponta Silva, segundo informa o DCI.

Na última segunda-feira (03), o Catar anunciou que deixará a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em janeiro de 2019 para se concentrar em seus negócios de GNL. O país é o maior exportador mundial do combustível. A Petrobras também anunciou investimentos em unidades de tratamento e processamento nos estados de Sergipe, Rio de Janeiro e São Paulo, para dar suporte ao escoamento da produção de gás. Em seu plano de negócios, a empresa prevê aportes de cerca de US$ 5 bilhões no segmento de gás natural. “O nosso esforço vai continuar por uma maior atuação futura neste segment o”, garantiu o executivo.

Plano de negócios

Nesta quarta-feira (05), a Petrobras anunciou o seu plano de negócios para o período de 2019 a 2023. A companhia irá investir US$ 84,1 bilhões no período, dos quais US$ 68,8 bilhões para o segmento de exploração e produção de petróleo. “Essa área vai receber mais capital que anos anteriores, principalmente na exploração. “Tínhamos uma redução de investimento bastante forte desde 2014 e agora entramos em uma fase de recuperação”, disse Silva. A empresa estima que haverá 5% de crescimento anual na produção durante o período abrangido pelo plano.

A companhia projeta a entrada de 18 novos sistemas de produção de petróleo, o que deve mudar a curva e a geração de caixa nos próximos cinco anos. “A entrada de plataformas vai ter efeito no caixa e garantirá perenidade”, disse o diretor executivo da Área Financeira e de Relacionamento com Investidores, Rafael Grisolia.

Ele também garantiu que a petroleira irá manter a política de preço de combustíveis alinhada ao mercado internacional. “É muito importante para criação de valor com acionista ter a precificação atrelada aos mercados internacionais.” A empresa dará prosseguimento aos processos de desinvestimentos já anunciados e irá deixar os negócios de fertilizantes, distribuição de GLP e as participações de produção de biodiesel e etanol. “O plano só considera os ativos já divulgados, com o adendo que alguns estão com o processo suspenso por questões judiciais. Entendemos que no médio prazo isso será revertido”, avalia Grisolia.

A Petrobras também estabeleceu uma nova meta de desalavancagem para um índice inferior a 1,5 vez a dívida líquida sobre o Ebitda até o final de 2020. “Vamos entregar a meta de 2,5 vezes até o fim de 2018. Não controlamos o preço da commodity, nem a taxa de câmbio. Temos que ser competitivos em qualquer cenário”, destaca Silva. Também foi estipulada uma meta de retorno sobre capital empregado acima de 11% em 2020. “É a primeira vez que temos um indicador de meta de rentabilidade”, assinalou Silva.

Na área de energias renováveis, a companhia declarou que continuará buscando parcerias em negócios de energia elétrica renovável, em especial solar e eólica. Serão investidos cerca de US$ 400 milhões no segmento. Atualmente, a empresa tem projetos de geração eólica em parceria com a Total e a Equinor e, de acordo com o plano, pretende participar de leilões de energia solar, entrar de forma gradual no mercado de geração distribuída e produzir bioquerosene e greendiesel em plantas integradas a refinarias. “Teremos foco em energia eólica e solar, de forma rentável”, assegurou Silva.

Consumo em alta

O consumo de gás natural no mês de setembro foi o maior registrado no País em um período de 39 meses, informou, nesta quarta-feira, 05 de dezembro, a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). No total, o Brasil fez uso de 79,2 milhões metros cúbicos/dia no nono mês deste ano, nível mais alto desde junho de 2015, quando o consumo havia sido de 79,3 milhões de metros cúbicos/dia. Na comparação com agosto, o crescimento foi de 9,8%. Já no acumulado do ano, a alta é de 4,4%, frente à média dos nove meses iniciais de 2017.

As informações fazem parte do levantamento estatístico da Abegás, feito com concessionárias em 20 estados, reunindo dados em diversos segmentos: residencial, comercial e automotivo, entre outros.

No acumulado do ano, todos os segmentos tiveram crescimento em relação aos números do mesmo período em 2017. O destaque foi a escalada de consumo do Gás Natural Veicular, com 12%, saindo de 5,3 milhões de metros cúbicos/dia para 5,9 milhões de metros cúbicos/dia.

Nas residências, o consumo tem registrado crescimento expressivo em 2018, com um aumento de 7,2% no acumulado até setembro e 12,3% ante o mês anterior. O resultado reflete a expansão das redes de distribuição de gás natural que hoje atende a mais de 3,4 milhões de famílias, segundo a Abegás.

“Nosso levantamento acaba sendo um indicador do quadro da economia brasileira. Por isso, é bastante significativo o fato de que o consumo total tenha alcançado seu maior patamar em 39 meses, depois de um período prolongado de recessão”, disse, em nota, o presidente executivo da Abegás, Augusto Salomon.

Novo governo

Segundo Salomon, o gás natural é a melhor fonte energética de transição para uma economia dominada pelas chamadas novas energias renováveis, sobretudo por causa da menor emissão de gases causadores do efeito estufa.

“Por isso, apresentamos ao governo eleito um documento de 52 páginas com propostas para que o Brasil também possa ampliar a demanda de gás natural, inclusive substituindo gradualmente a frota pesada movida a diesel por veículos a GNV”, completa Salomon.

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