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Importância da área petrolífera deve aumentar com novo ciclo de exploração no offshore brasileiro

Por Marco Antonio Monteiro*

Rio de Janeiro , 23/02/2019 – As atividades de exploração e produção (E&P) e de distribuição de derivados de petróleo no Brasil representam parcela relevante do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa de especialistas é que o esperado novo ciclo de crescimento do setor aumente sua contribuição para a arrecadação de impostos e para a economia.

O Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) estima que a cadeia petrolífera responderá por 54% do investimento total previsto de R$ 539 bilhões, com recursos do BNDES, na indústria brasileira no período 2018-2021.

O segmento de Exploração e Produção (E&P) representa, segundo estudo da FGV Energia, 4% do PIB, que em valores de 2017 (R$ 6,6 trilhões) equivale a R$ 265 bilhões. Este total inclui também a áre a de refino, diz a pesquisadora da FGV Energia, Fernanda Delgado.

No E&P, também denominado upstream, atuam 29 empresas, com destaque para as cinco maiores produtoras de petróleo no país, por ordem de volume extraído, a Petrobras, Equinor (ex-Statoil), Shell, Total e Chevron. Elas cuidam das atividades de busca e extração das jazidas de óleo, e ainda fazem o transporte do petróleo até as refinarias para processamento. No refino operam 15 refinarias, sendo a Petrobras proprietária de 13 unidades, detendo 98% da capacidade de refinamento do país.

Fernanda Delgado, pesquisadora da FGV Energia
Fernanda Delgado, pesquisadora da FGV Energia

A área de distribuição dos derivados de petróleo (também conhecida como downstream) espera fechar 2018 com faturamento de R$ 450 bilhões, o equivalente a 7% do PIB, em valores de 2017, de acordo com a Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência (Plural). O segmento de distribuição tem 227 empresas, que atuam com combustíveis líquidos, solventes, GLP, Asfalto e combustíveis para aviação. O downstream cuida da fase logística, ou seja, o transporte dos produtos da refinaria até os locais de consumo, distribuídos em mais de 17 mil postos de combustíveis em todo país.

Atualmente, o Brasil ocupa nona posição entre os maiores produtores de petróleo no mundo, segundo a Agência Internacional de Energia, com produção média diária de 3,2 milhões de barris em óleo equivalente (boe), que mescla petróleo e gás. Ultrapassou o Kuwait, integrante da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), que produziu 3,1 milhões de barris boe por dia, em 2017.

Para analistas do setor, este resultado impulsionado pelo pré-sal indica início de novo ciclo de crescimento para o setor no país, após sofrer com a grave crise devido aos escândalos de corrupção na Petrobras, revelados pela Operação Lava-Jato.

Hoje, a Petrobras produz sozinha 2,6 milhões de barris. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) projetava que o país atingiria o volume de 5,5 milhões de barris em 2027, segundo o diretor geral da autarquia, Décio Oddone. Agora, com novos leilões aprovados para 2019, esses números foram revistos e a projeção é de que serão produzidos 7,5 milhões de barris de petróleo por dia em 2030. “Isso é extraordinário para quem viveu os últimos anos da indústria do petróleo no Brasil. Somente a Rússia, Estados Unidos e Arábia Saudita, talvez, estarão nesse patamar de produção daqui a 10, 12 anos” frisa.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou realização em 2019 da 6ª Rodada de Partilha no pré-sal, da 16ª Rodada de Concessão e autorizou a ANP a fazer estudos para a 7ª e 8ª Rodadas de Partilha em 2020 e 2021. Também há grande expectativa para acordo entre Petrobras e União para realizar o megaleilão de cessão onerosa, do qual se espera arrecadação de até R$ 100 bilhões, envolvendo entre cinco bilhões e 15 bilhões de barris.

Em 2018, o governo federal arrecadou, sem considerar imposto de renda, R$ 60 bilhões com a indústria do petróleo. A projeção é que o valor atinja R$ 400 bilhões em 2030. Para Oddone, isso muda o patamar da indústria brasileira, e gera grande impacto na economia do país. “Precisamos, porém, de maior competição no refino, e na área de distribuição. A Petrobras já estuda a venda de refinarias e a ANP também”.

O Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) informa que a cadeia petrolífera responderá por 54% do investimento total previsto de R$ 539 bilhões, com recursos do BNDES, na indústria brasileira no período 2018-2021. De acordo com o IBP, o investimento anual médio do setor será de R$ 72,8 bilhões, quase 12 vezes maior que do setor automotivo e oito vezes superior ao do setor de alimentos.

*Publisher do Guiaoffshore. Matéria publicada no suplemento 80 anos do Petróleo no Brasil, do Valor Econômico, em 28 de Janeiro de 2012

 

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