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Corte de US$ 8 bilhões em gastos operacionais da Petrobras virá em grande parte de pessoal

Rio, 15/03/2019 – O corte do número de empregados deve se tornar o grande propulsor do plano da Petrobras de reduzir em US$ 8,1 bilhões os gastos operacionais gerenciáveis previstos para os próximos cinco anos. Os números do balanço da estatal, de 2018, indicam que, mesmo se acabar com todos os seus patrocínios e publicidade, a companhia só atingirá 1% da meta de cortes e que, dentre os principais alvos da petroleira, o grande potencial de economia vem das despesas com pessoal.

A Petrobras informou, na semana passada, que pretende reduzir em 6,6% os gastos gerenciáveis do período 2019-2023, inicialmente orçados em US$ 122,6 bilhões. Segundo a estatal, a economia viria, basicamente, de três fontes: cortes de gastos com pessoal, por meio de um novo programa de incentivo ao desligamento voluntário (PIDV); da redução das despesas discricionárias, como publicidade e patrocínios; e da otimização do uso de prédios administrativos, segundo apurou o Valor Econômico.

Dentre esses itens, os gastos pessoais são os mais relevantes. No ano passado, essas despesas somaram R$ 32,289 bilhões, o que representa um aumento de 11% frente a 2017. O crescimento foi puxado, principalmente, pelo aumento dos gastos com participação dos empregados nos lucros e com o programa de remuneração variável, dado o melhor desempenho financeiro da companhia em 2018.

O anúncio de um novo PIDV acontece após ligeiro aumento do número de empregados da Petrobras. Em 2018, o efetivo da empresa subiu 1%, interrompendo uma sequência de quatro anos seguidos de cortes. Ao todo, a empresa encerrou o ano com um efetivo 63.361 funcionários, incluindo a controladora e suas subsidiárias, 22.750 funcionários a menos do que os 86.111 empregados que a petroleira tinha ao fim de 2013, antes da empresa entrar em crise financeira.

Para o analista do Santander, Gustavo Allevato, faltam detalhes sobre como a Petrobras obterá a economia prometida. “Sobre o corte de custos, acho bem ambicioso. Faltam muitos detalhes, dado o tamanho dele”, afirma.

Nos últimos anos, a Petrobras promoveu dois grandes PIDVs (um em 2014 e outro em 2016) e conseguiu desligar 16,5 mil empregados com os programas. Com a medida, a empresa pagou indenizações de R$ 5,5 bilhões e obteve um retorno financeiro de R$ 19,5 bilhões – abaixo dos cortes prometidos pela empresa.

Já as despesas com patrocínios cresceram 55% em 2018, mas as cifras são relativamente pequenas diante da meta de corte de custos proposta. Ao todo, a empresa investiu R$ 220 milhões nessa rubrica em 2018. Os gastos em publicidades somaram R$ 121 milhões, queda de 28,8%.

Sobre o aluguel de prédios, por sua vez, a empresa já vinha adotando, nos últimos anos, algumas medidas para redução de gastos na área. Neste mês, durante a coletiva de imprensa para detalhar os resultados de 2018, o diretor de assuntos corporativos, Eberaldo Neto, afirmou que “vários prédios têm sido desmobilizados nos últimos anos” e que a companhia chegou a obter uma economia de R$ 1 bilhão desde 2017 com as iniciativas.

Em fevereiro, a Petrobras anunciou que a empresa deixará o Edisp, na Avenida Paulista, em São Paulo. A companhia estima que a iniciativa trará uma economia de R$ 100 milhões, no horizonte do plano de negócios.
Fonte: Valor Econômico

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