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Só as grandes petroleiras não aliviam crise das emissões, diz chefe da Eni

Roma, 09/10/2019 – O executivo-chefe da Eni disse que as grandes empresas de petróleo e gás de capital aberto não são capazes de atenuar sozinhas a crise das emissões de carbono, apesar dos holofotes sobre suas operações e da pressão para que diminuam os investimentos.

“Veja o que representamos, não mais de 10% a 15% da produção total e apenas uma porcentagem pequena das reservas mundiais de petróleo e gás”, disse Claudio Descalzi. “Se pararmos de produzir, nada vai mudar.”

Os comentários do executivo-chefe do grupo italiano chegam em meio aos pedidos cada vez mais numerosos de investidores e ativistas ambientais para que as empresas internacionais de fontes de energia reduzam os investimentos em petróleo e gás, mesmo com a demanda por esses combustíveis fósseis continuando alta.

Nesta semana, estão programadas manifestações ambientais do movimento “Rebelião Contra a Extinção” em torno a Westminster, em Londres, onde se reúnem executivos de petrolíferas para uma grande conferência do setor.

Executivos de grandes petrolíferas contrários ao movimento pela venda de seus ativos dizem que isso apenas transferiria o controle para empresas menores, que podem não ter os mesmos padrões operacionais que elas têm nem sofrer o mesmo grau de fiscalização dos órgãos reguladores.

“Se não produzirmos, alguém vai”, disse Descalzi, citando as petrolíferas estatais que produzem e controlam grande parte da produção mundial. “[E] talvez de uma forma não tão eficiente em termos de investimento, pesquisa e desenvolvimento e redução das emissões de dióxido de carbono.”

Ele disse que todos os segmentos da sociedade, desde os governos aos consumidores e outras indústrias poluidoras, precisam unir-se em torno a formas de enfrentar mudanças climáticas e evitar regras fragmentadas que tenham como alvo regiões ou setores.

“Isto não é tratado como um problema global”, disse Descalzi. “Não tem como ser resolvido com apenas um componente […] a companhia de petróleo e gás. Precisa ser uma solução global.”

A Eni está embarcando em uma grande expansão no Oriente Médio, para diversificar suas operações em termos geográficos. A petrolífera italiana vai gastar US$ 2,5 bilhões na exploração e produção nos Emirados Árabes Unidos, Omã e Bahrein entre 2019 e 2022. Também vai investir mais nas áreas de refino e química na região, principalmente por meio da aliança com a petrolífera estatal de Abu Dhabi.

Desde 2018, as petroleiras aprovaram investimentos de US$ 50 bilhões em grandes projetos que vão dificultar atingir as metas climáticas, segundo o centro de estudo Carbon Tracker. A secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Christiana Figueres, disse artigo no “The New York Times” que investir bilhões de dólares em novos projetos de petróleo e gás “ignora a realidade inevitável do futuro de restrição de carbono já em curso”.

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