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Bolívia preocupa donas de gasodutos com possível instabilidade no mercado brasileiro de gás

Mercado avalia que crise no país vizinho pode atrasar plano do governo federal de abertura no setor

Brasília, 14/11/2019 – Embora a crise na Bolívia não tenha repercussões diretas para os negócios da Nova Transportadora do Sudeste (NTS) e para a Transportadora Associada de Gás (TAG), que controlam, respectivamente, a malha de gasodutos no Sudeste e no Nordeste do país, executivos das duas empresas reconheceram ontem que os recentes acontecimentos trazem instabilidade para o mercado brasileiro de gás, sobretudo aos planos do governo federal de abertura no setor.

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O diretor comercial da NTS, Ricardo Pinto, definiu como um “fato dado” a instabilidade gerada pela crise boliviana e afirmou que essa situação vai atrasar ainda mais a chamada pública para que empresas privadas de distribuição comprem espaço no gasoduto da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG). A empresa, que transporta o gás da Bolívia, tem a Petrobras como controladora. O processo é organizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A empresa, que transporta o gás da Bolívia, tem a Petrobras como controladora. O processo é organizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“Acho que isso [a crise na Bolívia] irá atrasar o processo da chamada pública da TBG, porque a YPFB [estatal boliviana] não tem condições de firmar um contrato de longo prazo ou assegurar condições comerciais nessa instabilidade”, afirmou. Pinto definiu a situação da TBG como uma “incógnita” que pode levar um “bom tempo a ser resolvida”.O executivo da NTS disse, ainda, que a situação sublinha a necessidade de Brasil e Argentina buscarem soluções alternativas para o gás boliviano. “Nós temos um bilhete premiado, uma condição muito privilegiada que é o potencial de gás do pré-sal”, afirmou ontem o executivo no 15º seminário Brazil Power & Energy, promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham). A NTS é controlada pela canadense Brookfield.

Também presente ao evento, o diretor de operações da TAG, Emmanuel Delfosse, disse que o Brasil poderá ser afetado, a depender de como a situação boliviana evoluir, mas que não haveria impacto para a TAG, controlada pela francesa Engie. Delfosse disse que a repercussão da crise boliviana pode atingir as empresas carregadoras, que entregam a molécula a transportadoras como a TAG. “Nossa malha está longe, então para nós hoje não tem repercussão. De qualquer forma, a gente não poderá ser culpado por [eventual] falta de gás, o que é responsabilidade dos carregadores”, advertiu.

O executivo disse que a controladora Engie já teve experiências com crises políticas, como na Rússia, o que nunca afetou a cadeia de gás. “Tem uma questão política e social e uma [outra] questão técnica de produção”, minimizou. Perguntado se a crise pode afastar interessadas em uma eventual venda de participações de estruturas como o gasoduto da TBG, Delfosse disse que o Brasil precisa do gás boliviano – cerca de 1/5 do volume consumido no país – e que, por isso, prevê resiliência na demanda pelos negócios na região.

“Tem de retomar a discussão da Bolívia daqui a seis meses, mas, na teoria, acho que tem gente interessada em oferecer contrato de gás para o mercado brasileiro nessa zona da TBG”, disse. “Então vai ter demanda. Poderia até ser uma [empresa] boliviana criando uma empresa no Brasil”, afirmou. Acrescentou que a TAG não tem interesse na TBG. O contrato entre Petrobras e YPFB vale até dezembro, mas as negociações para a renovação estão paradas.

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