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Opep decide reduzir a produção de petróleo para manter preço

Londres, 06/12/2019 –  A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) concordou em ampliar a restrição na produção de petróleo para ao redor de 40% no ano que vem, segundo informaram ontem autoridades do cartel.

Os preços tiveram uma movimentação apenas modesta em razão das notícias, com os investidores questionando se a decisão do cartel resultará numa redução real da produção: a Arábia Saudita já está produzindo 400 mil barris de petróleo por dia abaixo de sua atual cota e a Rússia, aliada da Opep, obteve uma exceção sobre as vendas de condensados como propano e butano.

O petróleo do tipo Brent, referência internacional, subiu 0,6% para US$ 63,39 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) ficou estável em US$ 58,43 o barril.

Em uma reunião ontem em Viena, a OPEP decidiu aumentar o corte na produção coletiva em 500 mil barris/dia juntamente com seus aliados até o fim de março, segundo disseram delegados. Os cortes significam que a Opep deixará de colocar um total de 1,7 milhão de barris/dia nos mercados globais, de uma restrição atual de 1,2 milhão de barris/dia.

Os dez países que não fazem parte da Opep, liderados pela Rússia, deverão contribuir com essa nova restrição na oferta, mas delegados desses países terão de endossar formalmente a proposta hoje. Numa reunião fechada, Moscou havia sinalizado ontem que pretendia apoiar o acordo.

A Arábia Saudita, líder de fato da Opep, defendia um corte maior para tentar estabilizar os preços do petróleo, no momento em que sua companhia petrolífera nacional, a Saudi Aramco, se preparava para abrir seu capital numa operação realizada ontem à noite, que atribuiu à empresa um valor de mercado de US$ 1,7 trilhão.

A estatal saudita vendeu cerca de 3 bilhões de ações, ou uma participação de 1,5%, por um total de US$ 25,6 bilhões. Dessa forma, a oferta inicial de ações (IPO) da Saudi Aramco superou os US$ 25 bilhões captados em 2014 pela companhia chinesa de comércio pela internet Alibaba – a recordista anterior.

As discussões de ontem na Opep foram um retrocesso nas reuniões relativamente transparentes do grupo. A maior parte das autoridades evitou falar dar declarações aos jornalistas, para ajudar os sauditas a criar uma surpresa positiva para o mercado de petróleo, segundo disseram fontes a par das discussões. Além disso, os participantes não submeteram propostas ao secretariado da Opep, como normalmente fazem.

Os príncipes herdeiros da Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU), Mohammed bin Salman e Mohammed bin Zayed, respectivamente acertaram o corte na produção durante um encontro nos bastidores do Grande Prêmio de Fórmula 1 em Abu Dhabi, no sábado, segundo disse uma fonte. Mas o ministro do Petróleo do Iraque, Thamir Ghadhban, frustrou parte do impacto positivo ao vazar o plano no mesmo dia.

Os preços do petróleo subiram menos de 1% por causa das notícias, com especialistas duvidando que a decisão do cartel resulte numa redução adicional de fato na produção. Com a coalizão já produzindo 450 mil barris/dia a menos, “isso é formalizar a realidade e não um novo corte”, disse Sara Vakhshouri, presidente da consultoria SVB Energy International de Washington. “É basicamente uma garantia ao mercado de que a produção atual continuará assim pelos próximos três meses.”

A Arábia Saudita já está produzindo abaixo de sua cota e ameaçou aumentar a produção se membros da Opep, como o Iraque e a Nigéria, continuarem produzindo acima de suas cotas. Segundo uma fonte próxima à delegação saudita, a Arábia Saudita não vai cortar a produção se os demais membros não cumprirem com a sua parte.

Mesmo que a Arábia Saudita imponha mais cortes às nações que não vêm cumprindo com os acordos, tal medida não será suficiente para resolver o problema do excesso de oferta que analistas estão esperando para o primeiro semestre de 2020, disse Jamie Webster, diretor sênior do Boston Consulting Group Center for Energy Impact.

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