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Maduro, pressionado por crise, avalia privatizar o petróleo na Venezuela

PDVSA já produziu diariamente 3,5 milhões de barris e hoje só extrai 700 mil barris b/d

São Paulo, 28/01/2020 – Diante do risco de colapso econômico e sanções penosas, o governo socialista do presidente venezuelano, Nicolás Maduro (foto Reuters), propôs entregar a participação majoritária e o controle de seu setor petrolífero a grandes corporações internacionais, uma medida que abandonaria décadas de monopólio estatal, de acordo com o jornal Valor Econômico.

Representantes de Maduro mantiveram negociações com a Rosneft da Rússia, a Repsol da Espanha e a Eni da Itália. A ideia é permitir que elas assumam as propriedades petrolíferas controladas pelo governo e reestruturem as dívidas da empresa estatal Petroleos de Venezuela (PDVSA) em troca de ativos, segundo fontes com conhecimento sobre o assunto.

A proposta, que poderia ser um bálsamo para a indústria petrolífera em desintegração do país, está em estágios iniciais e enfrenta grandes obstáculos. As leis venezuelanas precisariam ser alteradas, há divergências sobre como financiar as operações, e as sanções de Washington impedem qualquer empresa americana de fazer negócios com o regime de Maduro sem ter antes uma dispensa do governo dos EUA. As sanções também desestimulam empresas não americanas a investir na Venezuela.

A PDVSA, que já foi uma empresa estatal admirada que produzia 3,5 milhões de barris de petróleo por dia, hoje está em uma baixa recorde de 700 mil barris por dia, apesar de ter as maiores reservas conhecidas do mundo. Suas finanças estão em frangalhos: as reservas em moeda forte do banco central caíram para seu menor nível em três décadas, enquanto as reservas de caixa do governo somam menos de US$ 1 bilhão.

Para que o Tesouro dos EUA mude sua política, é quase certo que seria necessária a aprovação do líder da oposição, Juan Guaidó, que é apoiado por Washington contra Maduro e é o presidente da Assembleia Nacional, onde as leis são aprovadas.

Embora Guaidó e a oposição sejam a favor de aumentar a participação e os investimentos estrangeiros na Venezuela, não querem fazer nada que ajude Maduro a sobreviver politicamente. Eles pressionam para que Maduro renuncie e permita a realização de novas eleições presidenciais.

No começo deste mês, tropas apoiadas por Maduro mantiveram Guaidó fora da Assembleia enquanto os deputados pró-governo escolhiam um novo presidente, Luis Parra. Os apoiadores de Guaidó, por sua vez, votaram por sua manutenção no posto em uma reunião fora da Casa, de forma que a presidência continuasse em disputa. Segundo fontes familiarizadas com a situação, uma das razões que levaram Maduro a buscar o controle do Legislativo foi facilitar a aprovação das mudanças na lei necessárias para sua proposta.

Duas fontes disseram que a PDVSA quer novos investimentos das empresas com que negocia, enquanto elas, se a proposta for aprovada, querem ser pagas pelo fluxo operacional. As negociações levantaram a possibilidade de transformar parte da dívida da PDVSA em patrimônio para as empresas, segundo essas fontes.

A PDVSA e a Rosneft não responderam a pedidos para que comentassem o assunto. A Repsol não quis comentar, assim como a Eni e o Tesouro dos EUA.

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