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Consumo de petróleo na China deve cair 25% devido ao surto do coronavírus

Pequim, 07/02/20203 – Executivos chineses do setor de energia estão projetando uma queda de 25% no consumo de petróleo do país neste mês, em razão das consequências do surto de coronavírus, que forçou uma paralisação das viagens e da atividade industrial na segunda maior economia do mundo.

Executivos de algumas das maiores refinarias do país acreditam que a demanda nacional cairá incríveis 3,2 milhões de barris por dia em fevereiro, em relação ao ano passado – uma queda equivalente a mais de 3% do consumo mundial.

Os preços do petróleo já caíram diante das expectativas de queda da demanda, no momento em que as autoridades chinesas colocam cidades em quarentena, restringem as viagens aéreas e rodoviárias e estendem o prazo de fechamento de fábricas depois do feriado do Ano Novo Lunar.

Mas as projeções de executivos graduados da China, o maior importador de petróleo do mundo, não deverão abalar mais a confiança do mercado. A demanda chinesa por petróleo em fevereiro de 2019 foi de pouco menos de 13 milhões de barris/dia, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

Os países da Opep e seus aliados, como a Rússia, estão se esforçando para dar uma resposta a um choque de demanda que poderá ser comparado à queda do consumo ocorrida no pior ponto da crise financeira mundial em 2008.

A BP alertou esta semana que o surto do coronavírus poderá reduzir a demanda mundial por petróleo em 300 mil a 500 mil barris/dia neste ano.

O petróleo do tipo Brent, o padrão internacional, caiu mais de 20% desde o começo de janeiro, recuando para menos de US$ 55 o barril no começo desta semana. Ele reagiu ontem em meio à expectativa de que um tratamento para o vírus será encontrado.

Refinarias chinesas, que processam o petróleo para produzir combustíveis como a gasolina e o diesel, enfrentam um grande golpe nas vendas enquanto Pequim se esforça para controlar a propagação do vírus. “A epidemia foi um grande golpe para os nossos negócios”, disse um executivo de uma refinaria chinesa, que pediu para não ser identificado por se tratar de uma questão sensível.

Um executivo de outra refinaria disse que a propagação do vírus atingir um pico nas próximas semanas, a demanda da China por petróleo poderá continuar pelo menos 10% menor em março do que no mesmo período do ano passado.

“É bem provável que tenhamos um impacto de 3 milhões a 4 milhões de barris/dia neste mês, quando se leva em conta que a economia está praticamente paralisada”, disse Michal Meidan, do Oxford Institute for Energy Studies.

“A atividade industrial está em queda, a movimentação de passageiros caiu 70%, a movimentação de cargas caiu 50%. A questão do timing é a chave. Sabemos com certeza que há uma paralisação efetiva há pelo menos duas semanas.”

Se a China contiver rapidamente a disseminação do vírus, previsões menos dramáticas sobre o golpe na demanda deverão se mostrar corretas. A Chevron disse na semana passada que espera uma queda de 200 mil barris/dia em média para o ano.

Os países da Opep estenderam por mais um dia a reunião de emergência para decidir sobre os próximos passos para evitar que os preços do petróleo caiam ainda mais. Discussões estão ocorrendo sobre a necessidade de cortar a produção em 500 mil barris/dia ou mais, mas nenhuma decisão foi tomada até ontem. (ver reportagem abaixo)

Refinarias chinesas independentes vêm sendo particularmente prejudicadas e já reduziram as taxas de processamento de petróleo em pelo menos à metade, segundo disse um executivo.

Segundo representantes dessas empresas, as vendas diárias de produtos como óleo combustível, e asfalto caíram 90% desde o fim de janeiro, com as operações logísticas prejudicadas pelas restrições de uso das vias públicas. Isso levou a um aumento de mais de 50% nos estoques e vem pressionando os fluxos de caixa.

O consumo de gasolina e diesel do país caiu quase dois terços durante o feriado do Ano Novo Lunar, em relação ao ano passado, segundo um outro executivo.

A capacidade média de utilização das refinarias independentes de Shandong – um centro de refino – caiu para entre 40% e 50%, uma baixa histórica, segundo informaram dois executivos. “Todo mundo espera pelo ponto de virada, mas ninguém sabe quando isso vai acontecer”, afirmou um outro executivo.

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