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Desativação de plataformas deve aquecer mercado de petróleo, prevê KPMG

A desativação obrigatória de dezenas de estruturas vai gerar demanda por grande quantidade de profissionais das áreas de engenharia, ambiental, advogados especialistas no setor entre outros

Rio, 17/07/2020 – O descomissionamento dos poços e das estruturas de extração de óleo e gás, previsto para os próximos meses, deve aquecer o setor de energia e gerar um promissor mercado. Segundo a ANP, está prevista, até o final do ano, a desativação obrigatória de dezenas de estruturas. Para o sócio de energia e recursos naturais da KPMG, Anderson Dutra, esse processo vai gerar novos tipos de serviços para desativar essas plataformas que estão começando a atingir o fim da vida útil.

“O descomissionamento não é um processo fácil e vai envolver novos tipos de serviço da indústria, que até então não tinham ganhado destaque no país. Há expectativa de demanda de uma grande quantidade de profissionais das áreas de engenharia, ambiental, advogados especialistas no setor, etc. Se, por um lado, as empresas do setor poderão registrar queda na receita em função das baixas demandas (agravadas pela queda do consumo dado o efeito da covid-19), impactando o preço do petróleo e, consequentemente, o cancelamento ou postergação de projetos, por outro, deverá ser criada uma nova fonte de renda para a economia interna com a desmontagem dos equipamentos”, explica Dutra.

Quanto à disponibilidade de pessoal qualificado no mercado para executar essas operações, Dutra avalia que o Brasil possui uma indústria instalada robusta e capaz de suprir o setor de óleo e gás de forma bastante satisfatória. Nos últimos meses, diz ele, com a redução do investimento, a postergação e o cancelamento de projetos e, consequentemente, devolução de blocos, muitos profissionais foram desligados. Esses fatos ocorreram não somente no Brasil mas também em todo mundo.

“Diversos profissionais que estavam expatriados retornaram aos seus países de origem. Isso fez com que o mercado tivesse uma oferta inesperada de bons profissionais capacitados e com conhecimento técnico para contribuir com novas demandas que surgirão, sejam por meio do processo de descomissionamento de áreas ou por meio de novos modelos de negócios relacionados à operação e revitalização de campos maduros ou campos que se tornaram economicamente inviáveis para grandes operadoras”, observa o executivo.

Sócio de energia e recursos naturais da KPMG, Anderson Dutra

Como exemplo, Dutra cita a primeira leva de quase 20 estruturas que serão descomissionadas nos próximos anos, mas cerca de 90 delas encontram-se em estágio de descomissionamento no país. Entre elas estão as plataformas P-12, P-07, da P-15, FPSO Piranema, todas da Petrobras.

O descomissionamento ocorre quando a plataforma atinge a fase final de produção de óleo e gás ou quando ela se apresenta não mais vantajosa. Com o fim das atividades, é preciso fazer ainda a limpeza, remoção de estruturas e recuperação ambiental. Segundo o sócio, o processo de descomissionamento envolve ainda o acompanhamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“Existem atualmente diversas tecnologias e metodologias sendo aplicadas para aumentar o fator de recuperação desses campos. Algumas empresas inclusive possuem bons históricos de sucesso em aumentar esse fator. Esgotar todas as formas de revitalização do campo para estender a vida útil dos reservatórios é também algo promissor para o país e deve fomentar ainda mais a entrada de novos players especializados nessas práticas, muito conhecidas por criarem um novo modelo de desenvolvimento da área, repensando a forma tradicional. Temos uma expectativa de bons momentos para a indústria que tende a retomar o processo de geração de empregos”, esclarece.

*Anderson Dutra é sócio da KPMG

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