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Turbulência internacional freia otimismo recente com petróleo

Nova York, 07/02/2018 – A queda nos preços do petróleo observada durante os últimos dias é pontual, causada pela turbulência dos mercados de capitais em todo o mundo, mas pode ter acabado com a tendência de alta da commodity, segundo analistas. Há alguns dias, perto do fim de janeiro, o barril do tipo Brent chegou a tocar os US$ 70, mas dificilmente a dinâmica internacional justificará a volta a esse nível, acrescentam.

Para Norbert Rücker, analista do banco suíço Julius Baer, a realização de lucros recente provavelmente continuará, em especial dos fundos de mais alto risco. Até agora, as posições compradas dos investidores estavam em patamares muito altos, o que intensifica qualquer movimento de saída. Agrava o desempenho a virada do dólar, que vinha se enfraquecendo no mês passado mas já passou a se recuperar.

“Em geral, a queda dos preços do petróleo é de mais de 10% quando a confiança cai de níveis muito altos de otimismo”, comenta Rücker. “Ademais, os fundamentos do mercado de petróleo têm menor probabilidade agora de sustentar a narrativa positiva nas próximas semanas.”

Ontem, o segundo contrato do Brent terminou em queda de 1,2% na ICE Futures de Londres, para US$ 66,48 o barril, acumulando perdas de 2,7% no mês. Já o WTI caiu 1,2% na Nymex, de Nova York, cotado em US$ 63,39, com recuo de 2% em fevereiro.

Walter de Vitto, analista da Tendências Consultoria Integrada, aposta que a instabilidade será a regra no curto prazo, oscilando de acordo com a confiança dos investidores. Mas para ele, não há justificativa nos fundamentos econômicos para que os preços continuem tão altos.

O analista acredita que, não fosse o acordo entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados, o excesso de oferta no mundo seria brutal. “O preço desabaria se a produção voltasse com tudo”, diz. Em seus cálculos, sem o ajuste de oferta, a cotação mais justa seria em torno de US$ 40.

Mas o acordo pode ser insuficiente. Vitto afirma que o período mais forte da demanda mundial começa a se encerrar – terminando na virada do primeiro para o segundo trimestres -, comprometendo o equilíbrio do mercado, diz o analista. Rücker comenta que a atividade das refinarias nos Estados Unidos já perde força e aumenta a chance de os estoques de petróleo bruto pararem de cair por conta do menor uso.

Fonte: Valor Econômico

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