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Petrobras registra 4º prejuízo anual consecutivo e indica que ajustes estão perto de acabar

Rio, 16/03/2018 – A Petrobras teve em 2017 seu quarto prejuízo anual consecutivo, desta vez muito menor que nos anos anteriores, de R$ 466 milhões. Mais uma vez, o resultado foi pressionado por efeitos não recorrentes, com destaque para o provisionamento de R$ 11,2 bilhões para encerrar a ação coletiva movida nos Estados Unidos.

Depois de quatro anos, os efeitos extraordinários, que tiveram início com a Lava-Jato, podem estar chegando ao fim. O presidente da estatal, Pedro Parente, disse ontem, em entrevista coletiva, que a possibilidade de impactos não recorrentes nos resultados é menor no futuro, e que os passivos não resolvidos têm diminuído.

Tanto é a confiança da companhia de que vai passar a registrar lucro que seu conselho de administração decidiu propor a realização de estudos para mudar a política de distribuição de dividendos, passando a pagar os proventos trimestralmente. Parente disse que é “altíssima” a probabilidade de a companhia pagar dividendos já no primeiro trimestre deste ano.

Os resultados foram pressionados por efeitos extraordinários desde 2014. Fatores como baixas contábeis, adesão a programas de regularização de débitos fiscais e o provisionamento dos recursos para pagar o acordo da ação coletiva nos EUA reduziram o patrimônio líquido da Petrobras em R$ 160 bilhões nesses quatro anos. A maior parte dessa perda decorreu da baixa no valor de ativos da estatal, que, após passarem pelo que os contadores chamam de redução ao valor recuperável (“impairment”, em inglês), somou R$ 120 bilhões desde 2014, quando o esquema de corrupção na empresa foi revelado pela Lava-Jato.

Para efeito de comparação, o valor de mercado da companhia hoje é de R$ 292,4 bilhões, e seu patrimônio líquido vale R$ 269,6 bilhões. Em 2013, o patrimônio líquido era de cerca de R$ 350 bilhões. Além das baixas contábeis feitas desde então, o patrimônio menor hoje reflete também as vendas de ativos e, na ponta positiva, a redução do endividamento.

Esse ajuste gigantesco no valor dos ativos está entre as maiores “limpezas” de balanço já feitas por uma empresa de capital aberto no mundo. No ano passado, o corte por impairment foi menor, de R$ 3,9 bilhões. O maior foi feito em 2015, de R$ 49,9 bilhões.

Os itens especiais do balanço também contam com efeitos positivos, como a entrada de R$ 14,4 bilhões da venda de ativos, e R$ 1,47 bilhão em ressarcimentos de valores no contexto da Lava-Jato.

Segundo Pedro Parente, enquanto a possibilidade de novos efeitos não recorrentes relevantes é menor, o tema da ação coletiva nos Estados Unidos também está resolvido, no ponto de vista da companhia. “Aquilo que depende de nós foi feito, agora tem um processo que corre na Justiça americana”, disse, citando a aprovação do juiz e o pagamento da primeira parcela. “Do nosso ponto de vista, está sim resolvido”, frisou.

O prejuízo de 2017 veio em linha com o projetado por analistas, que destacaram fatores positivos no resultado, como a melhora dos dados operacionais e a perspectiva de retomada da distribuição de dividendos. O mercado, porém, reagiu mal. As ações preferenciais, que são as mais penalizadas pelo não pagamento de dividendos, caíram 4,78%, a R$ 21,31, e as ordinárias recuaram 2,08%, a R$ 23,12.

No quarto trimestre do ano passado, a companhia teve prejuízo de R$ 5,47 bilhões, ante o lucro de R$ 2,51 bilhões apurado nos últimos três meses de 2016. O provisionamento do acordo da ação coletiva foi o principal fator que pressionou os resultados, com efeito também sobre o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), que caiu 47,6%, para R$ 13 bilhões. A receita, por sua vez, subiu 8,5%, para R$ 76,5 bilhões, na esteira da recuperação dos preços de petróleo.

O endividamento da companhia subiu, refletindo, principalmente, a queda no Ebitda. A dívida líquida somava R$ 280,7 bilhões no fim de 2017, ligeira alta de 0,5% ante a dívida de R$ 279,2 bilhões em setembro, refletindo a desvalorização do real no período. A alavancagem medida pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda chegou a 3,67 vezes, ante 3,16 vezes no fim de setembro e 3,54 vezes em dezembro de 2016.

Em relatório, os analistas do Goldman Sachs Bruno Pascon, Victor Hugo Menezes e Gabriel Francisco classificaram o balanço da estatal como neutro. No lado negativo, ponderaram a geração de fluxo de caixa livre e a “limitada capacidade da Petrobras de entregar um processo de desalavancagem mais acentuado, em um ambiente de preço do Brent entre US$ 50 e US$ 55 por barril.”

Os dados operacionais também foram bem recebidos. Para Filipe Gouveia, analista do Bradesco BBI, destacou a melhora nas margens de exploração e produção e em refino, e os maiores preços realizados no período.

Na entrevista coletiva, os executivos da companhia destacaram também a recuperação na participação de mercado no fornecimento de diesel para as distribuidoras. De acordo com dados apresentados ontem pela companhia, o “market share” da empresa no suprimento do combustível, que havia caído de 83%, em 2016, para 74%, no ano passado, chegou a 79% em fevereiro deste ano. Segundo a estatal, a importação de diesel por terceiros recuou de 1,56 bilhão de litros, em novembro, para 680 milhões de litros, em fevereiro.

Com relação à gasolina, porém, a participação de mercado continua em queda, passando de 90%, em 2016, para 83%, em 2017, e 77%, em fevereiro. O volume de importação do combustível por terceiros cresceu de 300 milhões de litros em novembro do ano passado, para 360 milhões de litros em fevereiro.

Fonte: Valor Econômico

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