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Copagaz vira líder em distribuição de GLP em duas tacadas

Rio, 08/11/2019 – Com duas transações acionárias relevantes e vinculadas, a distribuidora Copagaz se tornou a líder do mercado brasileiro de gás liquefeito de petróleo (GLP). A primeira operação foi a venda de participação de 49% para a empresa de investimentos Itaúsa, aumentando a musculatura da companhia para a disputa pela Liquigás, que pertencia à Petrobras. Em consórcio com a Nacional Gás Butano, a Copagaz fortalecida comprou a Liquigás por R$ 3,7 bilhões – e sua participação de mercado saltou de 8,7% para 25,5% (considerando a proporção do consórcio).

A entrada da Itaúsa no capital da Copagaz está condicionada à aprovação da aquisição da Liquigás, apurou o Valor. A negociação com a Petrobras inclui uma taxa de insucesso (“break up fee”, no jargão do mercado) de 10% do valor da transação – caso não haja aprovação regulatória, por exemplo. A entrada da Nacional Gás no consórcio foi justamente um “remédio” para evitar qualquer empecilho na aprovação do negócio, conforme as fontes.

Essa precaução se deve à reprovação, em 2017, da venda da Liquigás para a então líder do mercado, a Ultragaz. Com o veto do Cade, a Ultragaz teve que pagar a multa de insucesso – à época, de R$ 280 milhões, correspondente a 10% do valor da transação. “No fim das contas, com esse veto há dois anos, a Petrobras trocou uma transação de R$ 2,8 bilhões por R$ 4 bilhões”, diz um executivo, considerando a soma da taxa recebida no passado com o valor da negociação atual.

A conclusão da venda da Liquigás será no ano que vem, afirmam duas fontes. Dentro de uma semana, a Petrobras deve submeter a venda ao conselho de administração e então as empresas assinarão contrato. A partir daí, a operação será submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Com esse processo, o ‘closing’ será certamente no ano que vem”, diz um executivo. “Na estimativa mais otimista, será entre junho e julho e, na pessimista, em dezembro”, complementa outra fonte.

O pagamento será à vista, nesta etapa final, com o dinheiro indo direto para o caixa da Petrobras. O consórcio já tem financiamento bancário para esse pagamento, firmado em sindicato de Bradesco e Itaú, apurou o Valor.

A estimativa é que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) combinado da empresa líder ficará na casa de R$ 350 milhões. As empresas projetam principalmente ganhos de sinergia operacional. “Não é sinergia comercial, uma vez que esse segmento já é bastante competitivo, mas operacional e administrativa”, diz um executivo. “A combinação operacional permite ganho de logística, por exemplo, já que elas têm diferentes bases de distribuição e armazenamento de botijão”, complementou.

O Valor apurou que a BR Partners assessorou a Copagaz na transação, enquanto a One Partners assessorou a Itaúsa. A Nacional Gas negociou diretamente. O Santander assessorou a Petrobras.

As companhias definiram que vão manter a marca Liquigás, que é mais forte do que a das compradoras em algumas regiões. De acordo com uma fonte, a logomarca da Liquigás precisará ser alterada, uma vez que a Petrobras exige mudança das cores – para não remeter à estatal e confundir o consumidor final.

Quando a transação voltou a mercado, após o veto do Cade, estimava-se que o preço oferecido pela Ultragaz seria o teto para os novos lances. Uma fonte explica, no entanto, que a mudança de contexto – com melhora econômica em relação há dois anos – e o barateamento de funding ajudaram a subir o valor. Além disso, para este consórcio, as potenciais sinergias também são altas. O fundo árabe Mubadala e a distribuidora Consigaz também disputavam a Liquigás.

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