Bolsonaro critica preço alto e baixa qualidade dos combustíveis

Bolsonaro critica preço alto e baixa qualidade dos combustíveis

Ele disse que formação de preço é caixa-preta e acredita que a gasolina poderia ser, no mínimo, 15% mais barata, se todos os órgãos de fiscalização funcionassem

Rio, 20/02/2021   Os constantes aumentos dos preços dos combustíveis não irritaram somente a população, mas também o presidente Jair Bolsonaro. Em 2021, a gasolina vendida nas refinarias, pela Petrobras, já acumula alta de 22%. Já o diesel acumula alta de 10,7%. Na bomba, o valor e aumento são ainda maiores, já que o preço tem acréscimo de impostos e margens de lucro de revenda e distribuidoras. Na última quinta-feira, 18, a Petrobras anunciou aumento de 15,2% no óleo diesel e de 10,2% na gasolina. Foi o quarto reajuste do ano, o que pesou para que Bolsonaro indicasse um novo nome para o comando da estatal. O diesel e a gasolina já acumulam alta de 27,5% e 34,8% em 2021.

O preço ditado pela Petrobras leva em conta o câmbio e o valor do barril de petróleo. Essas duas variáveis estão em alta. Por isso, há aumento no valor dos combustíveis, que possuem alta incidência de impostos federais, e com a alíquota do ICMS variando entre 25% e 35% nos estados.

Por isso, Bolsonaro afirmou neste sábado, 20, que a formação de preço dos combustíveis no Brasil é uma “caixa preta” – referindo-se diretamente à Petrobras. Ele também criticou a qualidade dos combustíveis vendidos e indicou que a gasolina e o óleo diesel poderiam ser 15% mais baratos se os órgãos de fiscalização “estivessem funcionando”.

“Hoje em dia, eu acho que a gasolina, o combustível, poderia ser, no mínimo, 15% mais barato, se todos os órgãos estivessem funcionando. Quem são todos os órgãos? Os órgãos de fiscalização ou de colaboração para fiscalizar”, declarou, em transmissão ao vivo nas redes sociais ao lado do filho deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

O chefe do Executivo citou como exemplo de órgão de fiscalização a própria Petrobras, o Ministério de Minas e Energia, a Receita Federal e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). O presidente cobrou maior fiscalização por parte da Receita e disse que está “ultimando” ao Inmetro uma forma de aferir à distância se postos de gasolina estão vendendo as quantidades certas de combustível.

Bolsonaro acrescentou que há “outros órgãos” responsáveis pela qualidade do combustível no País, mas que “ninguém nunca se preocupou em fazer absolutamente nada” para a fiscalização. “Agora uma pergunta a vocês: você sabe que quando você coloca seu combustível no carro você não tem certeza se tá marcando 30 litros lá no visor da bomba, se entraram 30 litros, você não sabe a qualidade desse combustível?”, disse.

“Quando você vê a nota fiscal você também não sabe quanto de imposto é federal, quanto é estadual, quanto é a margem de lucro dos postos e quanto se paga também na questão da distribuição. Você não sabe de nada, é uma caixa preta”, declarou. “Tem locais no Brasil que postos de gasolina estão na mão de gente que realmente faz parte de organização criminosa (numa referência clara a vários postos de bandeira branca em São Paulo, que estão nas mãos do PCC). Temos de buscar solução para isso. Não vai faltar para nós, se Deus quiser, coragem de decidir, buscar o que é certo”, disse.

Na transmissão ao vivo, o presidente também negou ter interferido na petrolífera ao indicar o nome de Silva e Luna para o comando da estatal, no lugar de Roberto Castello Branco. “Não houve qualquer interferência na Petrobrás, tanto é que continua esse reajuste de 15%”, disse.

 

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