Assembleia da Petrobras aprova destituição de Castello Branco

Assembleia da Petrobras aprova destituição de Castello Branco

Com a vacância do poder, a assembleia nomeou como presidente interino da companhia o diretor executivo de E&P, Carlos Alberto Pereira de Oliveira, até a eleição e posse de novo presidente

Redação | ABr/Vladimir Platonow

Rio de Janeiro, 22:45 13/04/2021 – A Petrobras anunciou, em comunicado ao mercado na noite desta segunda-feira (12), a destituição de Roberto Castello Branco do cargo de membro do Conselho de Administração, o que acarretou na sua saída também da presidência da companhia. O nome indicado pelo presidente Jair Bolsonaro como novo presidente da estatal é o do general Joaquim Silva e Luna. O anúncio ocorreu após Assembleia Geral Extraordinária da estatal.

“Em decorrência da vacância na presidência da companhia, o presidente do Conselho de Administração nomeou como presidente interino da companhia o diretor executivo de Exploração e Produção, Carlos Alberto Pereira de Oliveira, até a eleição e posse de novo presidente”, informou a companhia.

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No comunicado ao mercado, a Petrobras agradeceu à gestão de Castello Branco, por sua liderança e contribuição, à frente da companhia desde janeiro de 2019.

“Roberto teve um papel fundamental para desalavancagem da companhia, melhoria da alocação de capital, com foco nos investimentos em ativos de classe mundial, e aceleração de desinvestimentos de ativos não prioritários. Através da implementação dos cinco pilares estratégicos, custos foram reduzidos e configurados para permanecerem em trajetória descendente, houve aumento da produtividade, aceleração da transformação digital, lançamento de compromissos de baixo carbono e sustentabilidade, e foco na meritocracia e criação de valor”, destacou a Petrobras na nota.

O presidente Jair Bolsonaro indicou o General Joaquim Silva e Luna para presidir a Petrobras pelo trabalho de gestão conduzido na Itaipu Binacional

Das oito cadeiras em jogo na assembleia de hoje, os minoritários conseguiram eleger apenas Marcelo Gasparino da Silva. Alguns investidores estrangeiros acabaram votando por equívoco em representantes da União.

Com 51% do capital votante da estatal, o governo federal conta agora com sete conselheiros, enquanto os acionistas minoritários têm três – o eleito hoje e outros dois cujo cargo não estava em disputa. Os trabalhadores também têm direito a indicar um conselheiro.

Pressão dos caminhoneiros

A chegada de Luna à empresa, que era o CEO brasileiro da hidrelétrica binacional de Itaipu, ocorre após o presidente Bolsonaro ter discordado da forma como o executivo Castello Branco conduziu a política de preços de diesel e gasolina da companhia, que acumulam altas expressivas neste ano, ao seguir indicadores internacionais de mercado e a variação do dólar. O ponto crucial para tomada de decisão de troca do comando foi quando em fevereiro, durante entrevista à imprensa, após seguidas altas do diesel (mais de 20% nos dois primeiros meses do ano) e a consequente pressão dos caminhoneiros sobre os constantes aumentos de preço, Castello Branco afirmou que a insatisfação da categoria é “um problema que não é da Petrobras.”

Conforme o estatuto da empresa, o presidente da Petrobras é escolhido pelo Conselho de Administração dentre os seus membros. Dessa forma, o presidente da estatal precisa fazer parte do colegiado.

Com a saída de Castello Branco também da presidência da Petrobras, o estatuto da empresa prevê que o presidente do Conselho de Administração indique um substituto dentre os demais membros da Diretoria Executiva até a eleição do novo presidente-executivo. Com isso, o presidente do Conselho de Administração nomeou como presidente interino da companhia o diretor executivo de Exploração e Produção, Carlos Alberto Pereira de Oliveira, até a eleição e posse de novo presidente

Outras mudanças no conselho

A destituição de Castello Branco acarretou na saída automática de outros sete membros do colegiado, cujas vagas foram preenchidas em votação a partir de nomes indicados pelos sócios.

Foram eleitos, pelo sistema de voto múltiplo, além de Joaquim Silva Luna, seis nomes indicados pela União: Eduardo Bacellar Leal Ferreira, Ruy Flaks Schneider, Márcio Andrade Weber, Murilo Marroquim de Souza, Sonia Julia Sulzbeck Villalobos e Cynthia Santana Silveira. O colegiado também elegeu Eduardo Bacellar Leal Ferreira como Presidente do Conselho de Administração.

 

 

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